Desde 2011, janeiro tem um som diferente em Pelotas: clarinetes, violinos, choro, dentre outros sons. É o festival Sesc de Música acontecendo e, para a edição de janeiro de 2027, o Coordenador de Música e Audiovisual do Sesc RS deu entrevista à Rádio Pelotense para falar mais desse período em que a cidade ganha mais vibrações.
O que levou o Sesc a escolher Pelotas como sede do Festival Internacional Sesc de Música?
Quando a gente faz uma recapitulação sobre esses 15 anos que a gente tem do festival aqui, a primeira edição em 2011 foi pensada nessa estrutura. Eu já estava na instituição e também participei desse processo, entendendo qual seria a cidade para onde o festival iria. E aí vão se considerar vários aspectos e pontos que são necessários para a realização de um festival, principalmente a infraestrutura. Então, aqui a gente tem uma universidade, tem conservatório, tem escola de música, a gente tem um local muito plano, que é diferente de outros locais, então é tudo muito próximo, tudo congrega para que fosse em Pelotas. A partir disso, a partir da realização da primeira edição do festival e do acolhimento da cidade para com os alunos, para com os professores, isso nos deu ainda mais certeza dessa permanência do festival aqui na cidade. O acolhimento que a cidade teve com esse festival é algo que eu sempre digo: o festival abraça a cidade e a cidade abraça o festival. Então, é um casamento perfeito.
Como é feito o planejamento do festival e a escolha dos professores?
Eu ouso dizer que o festival ele começa quando a gente encerra a edição. Então, a partir da edição, tem toda a desprodução, tem todo o processo de análise, de avaliação dos pontos positivos, negativos, melhorias, né? Sempre temos que melhorar. Então, a partir disso, toda a organização se encontra, faz essas análises e, a partir disso, o diretor artístico do festival, que é o maestro Evandro Matté, já começa a pensar com bases e diretrizes pensadas também pela instituição, pelo Sesc, já começa a pensar nesse corpo docente para a próxima edição. E o corpo docente, a gente sempre diz que ele atua em dois eixos, que é o eixo pedagógico, que são os cursos e masterclasses que acontecem durante o festival, e tem esse processo seletivo dos alunos que vêm para cá para participar. Então, a gente abre o período de inscrições, que é o que está acontecendo agora, onde os alunos se inscrevem, passam por esse processo seletivo para vir para o festival.
A partir disso, a gente tem o outro eixo, que é o eixo sociocultural, que são os concertos e recitais que acontecem durante esses 12 dias. A gente teve, nessa última edição, que foi em janeiro de 2026, aqui, 115 concertos e recitais durante esses 12 dias, um número bastante significativo, e alguns pontos que são bastante caros ao festival, que é a democratização e a descentralização. Fomos a mais de 40 locais aqui na cidade, além dos espaços canônicos, como o Conservatório, como o Theatro Guarany, como ali o Laranjal, um palco que a gente monta lá. Mas há diversos locais, como hospitais, como a Colônia Santo Antônio, a Catedral, como outros espaços que a gente acaba muitas vezes não indo, ficando em pontos mais centrais. Então a gente descentraliza e faz com que o festival se espraie durante esses 12 dias em toda a cidade.
A gente recebe em torno de 380 alunos em janeiro, vindos nessa última edição de 22 estados representados do Brasil, de cinco países da América Latina, e a gente também teve estudantes que vieram da Inglaterra neste ano. Também foram 59 professores que participaram, sendo de 13 nacionalidades. A partir desses professores, a gente tem aí um quadro de pessoas que atuam na organização do festival. Então, a gente tem aí em torno de 400 a 450, 500 pessoas, para além de fornecedores também.
E como está a programação deste ano? E como faz para se inscrever?
A gente já está trabalhando em cima da programação, pensando já na próxima edição. É uma data alusiva, então a gente vem aí com uma identidade visual também alusiva e comemorativa a esses 15 anos. A gente tem excelentes perspectivas para a próxima edição, porque vai ter o Teatro Sete de Abril, que, por muito tempo, tivemos essa carência de ter mais esse espaço qualificado. A gente vai trabalhar ali também com programações no Teatro Sete de Abril. Estamos em articulação juntamente com a Prefeitura, com a Secretaria de Cultura, para que a gente possa também ter programações lá no teatro.
A gente teve ano passado o lounge do festival, que foi ali no mercado público, e a intenção é que a gente mantenha esse lounge, que é esse ponto de encontro entre público, alunos, professores. Vai ser uma programação vasta, qualificada e se reinventando, se renovando a cada ano, porque a permanência de um projeto, a longevidade dele, carece dessa oxigenação permanente de novidades, de refrescar o olhar do espectador, do público também.
As inscrições são pelo site do Sesc, onde estão todas as informações, critérios e contatos. O festival vai acontecer do dia 18 a 29 de janeiro de 2027.