O pelotense precisa sentir o frio na pele para buscar peças de roupas e acessórios que aqueçam o ambiente, o que segundo o Sindilojas já representa um crescimento de 4% nas vendas de artigos para as baixas temperaturas, mas que podem chegar a 8% até o final de junho. Nas vitrines, aquecedores, estufas, secadoras de roupas e fogões a lenha estão sendo oferecidos com desconto ou com parcelamento maior, até porque o período é de fechar o mês, quando as promoções costumam ocorrer. No setor de vestuário, o campeão de vendas são as jaquetas e camisas térmicas que concorrem diretamente com cobertores. Já no comércio informal, luvas e toucas estão no topo dos mais vendidos.
Com a previsão de mais dias gelados pela frente, a expectativa do comércio é de que o movimento continue aquecido. A vendedora da loja Benoit, Jussara Vigorito, conta que os fogões a lenha lideram a procura, com vendas médias de cinco a seis unidades por dia, sendo que o preço em média varia de R$ 1 mil uma salamandra até mais de R$ 5 mil conforme o modelo. “Eu acabei de vender um fogão”, comemora. Já uma lareira metálica custa em média R$ 1,2 mil.
Para adquirir um aquecedor, o consumidor vai gastar entre R$ 150,00 e R$ 170,00, com os menores. Secadoras de roupas e climatizadores também ganham espaço entre os produtos alternativos para enfrentar as baixas temperaturas. “Basta avisar que vai chegar o frio e o pessoal já vem correndo comprar. E agora ainda tem as ofertas de fim de mês, então ajuda bastante”, relata. Na loja, o parcelamento pode ser feito em até 20 vezes, dependendo do valor.
Em camadas
Enquanto as temperaturas seguem em queda, o frio que faz os pelotenses tirarem os casacos dos armários também continua movimentando vitrines do comércio. A aposentada Maria da Graça da Cunha Pereira, 67, é uma das consumidoras que precisou reforçar o guarda-roupa para enfrentar a onda de frio. “Roupa sobre roupa ajuda, mas em casa também tem o chazinho quente e o fogão a lenha. Agora vim procurar camisetas térmicas para me aquecer melhor”, conta. Casacos apeluciados e jaquetas custam em média R$ 100,00. Já as roupas térmicas podem ser encontradas por menos de R$ 30,00.
Para o Sindilojas, é o frio aquecendo as vendas. “Já foi alcançado o aumento de 4% em relação ao ano passado. Se o frio continuar existe a expectativa de chegar a 8% a mais que no mesmo período do ano passado”, ressalta o presidente Renzo Antonioli. “Se levarmos em conta que o inverno começou há quatro dias é bem possível que atinjam esse percentual”, projeta.
Concorrência
O crescimento das vendas ocorre em um cenário em que o comércio formal divide espaço com o mercado popular. Segundo Antonioli, a entidade acompanha o debate sobre a informalidade por meio da Fecomércio-RS e da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Segundo ele, dados da Fecomércio apontam que o mercado informal movimentou R$ 134 bilhões no Rio Grande do Sul em 2025, com impacto estimado de R$ 9,6 bilhões em arrecadação de ICMS.
Para o secretário de Urbanismo de Pelotas, Otávio Peres, o desafio do poder público é equilibrar a ocupação do espaço urbano entre lojistas e vendedores ambulantes. Segundo ele, a orientação é privilegiar o diálogo e a mediação, reconhecendo tanto a importância do comércio formal quanto do comércio popular para a dinâmica econômica e social do Centro.
Nas ruas do Centro, os vendedores ambulantes oferecem luvas, toucas, meias e peças de vestuário a preços mais acessíveis. Para muitos consumidores, os produtos comercializados no Calçadão representam uma opção para complementar a proteção contra o frio sem comprometer o orçamento. O instalador hidráulico Teilor Gonçalves Cortes, 64, sente muito frio nos pés. “Vim buscar um carpim de lã, para poder amenizar o frio. É bem difícil de aquecer as extremidades, tem que caminhar bastante.” Como estava na promoção, ele saiu com um kit de três pares e pagou R$ 25,00.
