A Seleção Brasileira enfrenta nesta sexta-feira (19) o Haiti, às 21h30min (de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia. O jogo válido pela segunda rodada do grupo C da Copa do Mundo ganhou importância depois do empate do Brasil no sábado passado, contra Marrocos. Uma vitória diante da equipe caribenha praticamente garante o time de Carlo Ancelotti na segunda fase. Globo, Sportv, ge tv, Cazé TV, SBT e N Sports transmitem.
A importância da partida desta sexta-feira vai além do resultado. O desempenho na estreia gerou críticas e o próprio treinador da Seleção manifestou insatisfação. Tanto é que a tendência é de modificações na escalação para hoje. Ancelotti faz mistério e, durante a parte dos treinamentos aberta à imprensa, evita dar indícios de quem vai começar jogando. É improvável, no entanto, que sejam os mesmos 11 escolhidos diante dos marroquinos.
Entre as alternativas observadas no Columbia Park, CT do Brasil, em Morristown, região de Nova York, estiveram Danilo, Léo Pereira, Fabinho, Luiz Henrique e Gabriel Martinelli nos lugares, respectivamente, de Ibañez, Gabriel Magalhães, Casemiro, Lucas Paquetá e Raphinha. Não significa que todas essas trocas ocorrerão, mas sim que o técnico sabe da necessidade de jogar mais. Neymar, ainda lesionado, segue fora e não viajou.
As mais prováveis mexidas, segundo o ge.globo, envolvem Danilo e Luiz Henrique. O jogador do Flamengo, por exemplo, concedeu entrevista coletiva na quarta-feira. Ele é um dos líderes do grupo e está em sua terceira Copa. O lateral-direito disse que a atuação contra Marrocos “assustou”. Para o camisa 2, ainda falta maturidade para o time brasileiro, principalmente em comparação a seleções como França e Argentina.
“A melhor forma de crescer é encarar tudo com clareza. Temos que ter certeza que aquele primeiro tempo [na estreia] foi totalmente aquém das nossas capacidades. A não criação de uma identidade e trocas constantes [na CBF] têm influência na ansiedade. Quando se tem algo coeso, você se agarra naquilo quando tudo fica difícil. Isso é uma coisa que não conseguimos construir”, admitiu Danilo.
Aposta na diáspora
Os 54% de posse de bola e o maior número de finalizações (15 a nove) na derrota por 1 a 0 para a Escócia deixam clara a evolução da seleção haitiana. A equipe dirigida pelo francês Sébastien Migné representa o país em uma Copa pela segunda vez (a outra foi em 1974) após ter deixado para trás nações mais tradicionais, como Costa Rica e Honduras, nas Eliminatórias da Concacaf.
Dos 26 convocados, 16 nasceram fora do Haiti e mostram como a federação aposta na diáspora para fortalecer a seleção. As dificuldades econômicas e a instabilidade política do país localizado na América Central fizeram muitos haitianos buscarem uma nova vida fora em outros lugares. A nação caribenha é a 158ª no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU e cerca de 60% dos habitantes vivem abaixo da linha da pobreza.
A realidade também causa consequências no futebol. O estádio na capital haitiana, Porto Príncipe, está em área tomada por grupos criminosos, e por isso o Haiti não atuou nenhuma vez em seu território durante as Eliminatórias, mandando jogos em Curaçao. Em campo, superadas as dificuldades, o time espera competir com nomes como o centroavante Frantdzy Pierrot, 1,94m, um dos dez convocados nascidos no país que defendem.
Além de Pierrot, a principal arma ofensiva é Wilson Isidor, nascido na França e recentemente naturalizado haitiano. Ele defende o Sunderland, da primeira divisão inglesa. Também jogou a última temporada da Premier League o meio-campista Jeanricner Bellegarde, pelo Wolverhampton. Há, ainda, dois atletas na elite francesa (Arcus e Casimir). Já o zagueiro Ricardo Adé é titular da LDU, do Equador.
Escócia x Marrocos
O outro jogo da segunda rodada do grupo C começa às 19h (de Brasília), no Gillette Stadium, em Foxborough, região de Boston. Os escoceses lideram a chave com três pontos e os marroquinos somam um ponto. A transmissão é exclusiva da Cazé TV no YouTube.