O escritor pelotense Alcy Cheuiche retorna à sua terra natal para capitanear um sarau literário e uma sessão de autógrafos coletiva, promovidos pela Oficina Literária da Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal (APCEF/RS) – Regional Sul e pela Editora do Pampa, nesta sexta-feira (19), às 16h. O evento, com entrada franca no Clube Caixeiral, na praça Coronel Pedro Osório, 106, celebra marcos históricos da literatura sul-riograndense e promove o relançamento de obras que cruzam a ficção, a ecologia e a psicanálise.
Ao lado de Cheuiche, participam as escritoras Ariane Severo, Vilma Avila Vianna e Ana Helena Rilho. O encontro promete o dinamismo da leitura de trechos e inclui uma intervenção em francês por Eva Crochemore. A atividade destaca o papel das oficinas de criação literária conduzidas por Cheuiche há mais de duas décadas.
O romancista, que celebra 85 anos de vida e mantém o vigor de quem declama os próprios poemas de cor, traz para Pelotas a edição comemorativa de 60 anos de Versos do Extremo Sul, seu marco inicial na poesia, dedicado ao falecido tio e poeta Luiz da Silva Tavares, também de Pelotas. Outro grande destaque é a 13ª edição de Sepé Tiaraju: Romance dos Sete Povos das Missões. Lançado originalmente em Porto Alegre há 50 anos e posteriormente, em Pelotas.
A obra que se tornou referência sobre os Sete Povos das Missões serviu de base para um painel, durante a Feira do Livro de Porto Alegre, no Memorial do Legislativo do Rio Grande do Sul (RS), em homenagem aos 400 Anos das Missões Jesuíticas Guaranis. O evento teve a presença do secretário da Cultura, Eduardo Loureiro, e do autor Alcy Cheuiche.
Especialista no romance histórico, Cheuiche rejeita a erudição fria em favor da conexão com o público. “O romance histórico verdadeiro não tem ficção, mas é apresentado de forma romanesca. A história é a memória, mas é a memória da vida. Eu não escrevo para contentar crítico literário, se escreve para o leitor”, diz.
Patronos das Forças Armadas
Essa visão humanizada da história rendeu-lhe distinções máximas, como a comenda do Ministério da Defesa por ser o único escritor brasileiro a romancear a vida de patronos das Forças Armadas, com O Velho Marinheiro: A História da Vida do Almirante Tamandaré. Cheuiche também escreveu Nos céus de Paris, que narra a vida de Santos Dumont, patrono da Aeronáutica, e celebra os 125 anos do voo ao redor da Torre Eiffel.
Questionado sobre as suas motivações e o reconhecimento de sua vasta carreira, que inclui ter sido Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, o escritor é categórico sobre o que mais o orgulha: “O maior troféu que eu ganhei na minha vida como escritor é que meus livros esgotam. Eu não tenho livros acumulados, porque a obra só existe realmente na cabeça do leitor.”
Nova pesquisa
Ao olhar para o futuro, o autor aproveita o retorno a Pelotas para anunciar, em primeira mão, a conclusão de seu mais novo romance histórico, Banrisul: Rumo ao Centenário, encomendado para o aniversário do banco em setembro. Segundo o autor, a trama parte do Castelo de Pedras Altas, em 1922, entrelaçando a fundação da instituição com a origem do voto feminino no país.
Para Cheuiche, a literatura regional cumpre o papel de universalizar as dores e os triunfos humanos a partir do pago.”Escrever sobre a nossa terra é uma forma de entender quem somos. Enquanto houver alguém disposto a ouvir uma boa história, a nossa identidade permanecerá viva.”
Prestigie
- O quê: sarau literário e relançamento de obras com sessão de autógrafos, de Alcy Cheuiche, Angela Madono, Ana Helena Rilho e Ariane Severo
- Quando: Sexta-feira (19), das 16h às 18h
- Onde: Clube Caixeiral, praça Coronel Pedro Osório, 106
- Entrada franca
