Professor e coordenador do curso técnico em Eletrotécnica do IFSul, Wagner Penny explica os motivos do aumento da conta de energia elétrica e apresenta dicas práticas para reduzir o consumo no dia a dia.
O reajuste de 8,6% na conta de luz impacta apenas a tarifa ou também o uso dos equipamentos?
Impacta em tudo. Muitas pessoas pensam: “Meu consumo não aumentou, por que a conta subiu?”. É porque a conta de energia não representa apenas aquilo que consumimos em casa. Nós pagamos por todas as etapas do sistema. A energia é gerada, transmitida por longas distâncias e distribuída até chegar à residência. Tudo isso tem custo. A nossa principal fonte de geração é a hidrelétrica, que depende das chuvas. Quando falta água nos reservatórios, precisamos acionar usinas termelétricas, que têm um custo muito maior. Produzir energia com carvão ou gás é menos eficiente e mais caro. E, no final das contas, quem paga essa diferença somos nós.
Como o consumidor pode economizar energia?
A economia começa já na compra dos equipamentos. É importante observar o selo do Inmetro e, se possível, procurar produtos com selo Procel, que indicam maior eficiência energética. Também existem escolhas que fazem a diferença. No caso do ar-condicionado, por exemplo, os modelos inverter são mais econômicos porque trabalham de forma contínua, evitando aqueles picos de consumo provocados pelo liga e desliga dos aparelhos convencionais. Outra dica simples é não programar temperaturas muito distantes da temperatura ambiente. No verão, algo entre 22°C e 24°C costuma ser suficiente. No inverno, também não é necessário colocar temperaturas muito elevadas.
Deixar carregadores de celular na tomada aumenta muito a conta?
Consome energia, mas muito pouco. O impacto na conta é praticamente irrisório. A preocupação maior é com a segurança e com a vida útil do carregador. Ele continua aquecendo e funcionando, mesmo sem o celular conectado, o que pode reduzir sua durabilidade. Além disso, um carregador ligado pode representar algum risco para crianças e animais de estimação.
Quais são os maiores vilões do consumo de energia durante o inverno?
Chuveiro elétrico, secadora de roupas, estufas e aquecedores estão entre os principais vilões. O que determina o consumo é a potência do equipamento e o tempo de uso. No chuveiro, por exemplo, é possível economizar ajustando a temperatura e reduzindo um pouco a vazão de água. Mas não adianta fazer isso e compensar com um banho mais longo. Na secadora, vale a pena esperar acumular uma quantidade razoável de roupas para utilizar a capacidade do equipamento de forma eficiente. Também ajuda colocar as roupas para secar parcialmente no varal antes. Já no caso dos aquecedores, é importante fechar portas, janelas, persianas e cortinas para evitar a perda de calor. Outra dica é utilizar o timer do aparelho, desligando-o depois que o ambiente estiver aquecido.
O que é energia limpa?
Energia limpa é aquela que não gera emissões significativas de gases poluentes durante sua operação. Energia solar, eólica e hidrelétrica são exemplos. Também falamos em energias renováveis, que são aquelas que a natureza consegue repor continuamente. É o caso do sol, do vento e da água. Já combustíveis como carvão, petróleo e gás são recursos finitos. Quando usamos fontes limpas, reduzimos os impactos ambientais, como a emissão de gases de efeito estufa e a ocorrência de problemas como a chuva ácida.
A instalação de painéis solares em casa vale a pena?
É uma excelente estratégia para economizar energia. Em vez de comprar toda a energia da concessionária, o consumidor passa a produzir parte dela utilizando o sol, que é uma fonte gratuita. Quando a geração é maior do que o consumo, o excedente pode ser injetado na rede elétrica e transformado em créditos. Esses créditos podem ser utilizados posteriormente e têm validade de até 60 meses. Por isso, quem tem condições de investir em um sistema fotovoltaico encontra uma alternativa muito interessante para reduzir os gastos com energia elétrica.