A suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan até o momento não provocou impacto nos municípios da Zona Sul do Estado. A medida anunciada pelo Ministério da Saúde vale apenas para essa vacina específica e não afeta a aplicação da Qdenga, imunizante da farmacêutica Takeda utilizado na rede pública.
Na região, o número de doses da vacina do Butantan foi limitado e destinado principalmente a profissionais da atenção primária em saúde. A última remessa enviada à 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (3ª CRS), com sede em Pelotas, ocorreu em março, quando foram distribuídas cerca de duas mil doses. Desde então, não houve novos envios. No Estado, o Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) faz um levantamento para confirmar quantas aplicações foram realizadas e o perfil dos vacinados.
Em Rio Grande, a vacinação com o imunizante foi encerrada em meados de maio por falta de novas remessas, sem prejuízo ao atendimento da população. De acordo com o Painel de Vacinas do Ministério da Saúde, foram aplicadas 746 doses da vacina dengue atenuada (não especifica qual imunizante). Em Pelotas, a pasta prefere não comentar o assunto. Já o painel aponta 1.884 aplicações. Em nota afirma: “Considerando que não há nenhuma ocorrência sobre este tema, e buscando assegurar a tranquilidade da comunidade, a Secretaria da Saúde prefere não informar este dado [quantos vacinados com a Butantan]”.
Reações
O Ministério da Saúde decidiu interromper temporariamente a aplicação da vacina do Butantan após o registro de 42 casos de reações adversas mais severas em todo o país, entre mais de 500 mil doses aplicadas. Três pessoas precisaram de internação e duas morreram, embora a pasta ressalte que ainda não há confirmação de relação direta entre os casos e a vacina.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que a suspensão tem caráter preventivo para permitir investigações adicionais sobre possíveis fatores de risco e que a pasta confia na capacidade institucional do Butantan. A decisão não invalida a eficácia do imunizante, e as pessoas já vacinadas continuam protegidas contra a dengue, de acordo com o MS.
Qdenga segue disponível
A vacina Qdenga, utilizada regularmente no Sistema Único de Saúde, continua sendo aplicada normalmente. Em Rio Grande, por exemplo, o imunizante está disponível nas Unidades Básicas de Saúde para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A Secretaria da Saúde reforça que a vacinação é uma ferramenta importante de prevenção, mas não substitui os cuidados para eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti.
Situação controlada
No início deste mês, o Departamento de Vigilância em Saúde de Pelotas confirmou 14 casos de dengue em 2026, com 157 descartados e 13 em investigação. O município também registrou queda significativa nos focos do mosquito transmissor: de 723 em abril para 414 em maio. A prefeitura destaca que agentes de saúde seguem realizando visitas domiciliares, orientações e aplicação de inseticidas, enquanto ações de limpeza urbana e drenagem continuam em andamento.
Já em Rio Grande, a Vigilância Ambiental identificou 646 focos do mosquito neste ano e confirmou dois casos autóctones de dengue. Apesar do aumento dos focos em relação a 2025, as autoridades afirmam que o cenário segue sob monitoramento.