Os agravos relacionados à saúde do trabalhador seguem em crescimento na área da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde. Dados do Centro Regional de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) apontam que a região fechou 2025 com 5.196 notificações, aumento de cerca de 17,7% em relação a 2024, quando haviam sido contabilizados 4.416 casos. O avanço continua em 2026. Apenas nos primeiros meses do ano, já são 1.715 registros, sendo 463 em Pelotas.
Entre os municípios da região, Pelotas lidera o volume de notificações acumuladas, com 1.691 casos, seguida por Rio Grande, com 1.293, e Santa Vitória do Palmar, com 438. Também aparecem com números expressivos São Lourenço do Sul (241), Capão do Leão (202), Canguçu (183), Piratini (179) e São José do Norte (175).
Na outra ponta, os menores registros foram observados em Pedras Altas (22), Santana da Boa Vista (25), Amaral Ferrador (28) e Herval (34).
O principal problema identificado continua sendo o acidente de trabalho grave, responsável por 4.370 notificações, o equivalente à ampla maioria dos casos registrados.
Causa dos agravos
- Acidente de trabalho grave – 4.370 casos
- Acidente por exposição a material biológico – 397 casos
- Doenças do sistema músculo-esquelético relacionadas ao trabalho – 169
- Transtornos mentais relacionados ao trabalho – 101
- Intoxicação exógena – 72
- Agravos com campo de relação ao trabalho assinalado – 78
- Dermatose ocupacional – 7
- Câncer relacionado ao trabalho – 2
35 mortes confirmadas ligadas ao trabalho
O levantamento do Cerest também identificou 42 óbitos com suspeita de relação laboral em 2025, nos 21 municípios da Região de Saúde 21. Após investigação conduzida pelas Vigilâncias em Saúde do Trabalhador (Visats), 35 mortes tiveram relação com o trabalho confirmada, enquanto sete casos tiveram o vínculo descartado.
As investigações utilizam informações provenientes de declarações de óbito, registros policiais, sistemas de notificação e até monitoramento da mídia.
Causa de mortes no trabalho
- Acidentes por impacto – 9 mortes (26%)
- Quedas de altura – 5 mortes (14%)
- Acidentes de trânsito envolvendo caminhoneiros e motoristas profissionais – 5 mortes (14%)
- Acidentes com máquinas – 4 mortes (11%)
Grupos profissionais mais atingidos
- Trabalhadores agropecuários – 9 mortes (26%)
- Construção civil – 7 mortes (20%)
- Indústria – 7 mortes (20%)
- Motoristas profissionais e caminhoneiros – 6 mortes (17%)
Ainda segundo o levantamento, 100% das vítimas fatais eram homens. A faixa etária mais recorrente foi entre 51 e 60 anos, com dez registros, representando 29% dos casos. Entre os municípios com maior número de ocorrências de mortes relacionadas ao trabalho aparecem Rio Grande, com 10 registros, Pelotas, com 6, e Canguçu, com 5.
