“O Brasil é um Portugal que deu certo, porque é muito alegre”

Abre aspas

“O Brasil é um Portugal que deu certo, porque é muito alegre”

Auta Inês Medeiro Lucas de Oliveira – Arte-educadora e doutora em Artes

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“O Brasil é um Portugal que deu certo, porque é muito alegre”
Professora é uma das idealizadoras de um espaço voltado a atividades artísticas em Aveiro. (Foto: Reprodução)

Arte, educação e circulação cultural pelo mundo marcam a trajetória da arte-educadora Auta Inês Medeiro Lucas de Oliveira. Natural de Pedro Osório e formada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ela construiu uma carreira dedicada à arte-educação, que passou pelo Brasil, pela Colômbia e, atualmente, por Portugal.

Há três anos vivendo em Aveiro, Auta Inês é uma das idealizadoras da Casa das Artes, um projeto cultural independente que reúne cursos, encontros artísticos e atividades que aproximam brasileiros, portugueses e pessoas de diferentes nacionalidades.

Como surgiu a ideia de ir para Portugal?

Eu sou uma pedrosoriense mundana. Me considero assim, do mundo. Fui professora de uma geração inteira em Pedro Osório. Depois que meu filho já estava criado, fui voar: fiz o doutorado na Colômbia, fiquei alguns anos lá. Agora estou em Portugal há alguns anos porque fui acompanhar a Fernanda Miki, que foi fazer o doutorado lá. Eu terminei o meu doutorado e agora foi a vez de acompanhar ela.

E como surgiu a Casa das Artes em Aveiro?

A Casa das Artes surgiu de forma muito natural. Uns brasileiros do Teatro Oficina, de São Paulo, foram ao Teatro Aveirense dar um curso. Eu fui fazer esse curso também, com a equipe ligada ao Zé Celso Martinez Corrêa, que é uma grande referência do teatro brasileiro. A Fernanda colocou algumas imagens da nossa produção nas redes sociais e amigos brasileiros perguntaram: “Auta, tu és do teatro?”. Eu disse: “Gente, faço teatro desde a época do Festival de Teatro de Pelotas”. Então perguntaram se eu não podia dar um curso. Eu disse: “Mas onde?”. Não tinha lugar. Então demos na nossa própria casa. E aí virou a Casa das Artes.

O projeto começou com teatro?

Sim. Começamos com curso de teatro e depois foram surgindo outras coisas. Hoje temos também pintura, música e eventos como o Tintas e Taças, que é um encontro muito legal. Eu sempre digo: pintura é mancha. Tu consegue manchar algo? Então tu consegue pintar. As pessoas vão perdendo o medo. Entre uma taça e outra também perdem a vergonha, e o ambiente fica muito criativo.

Quem participa dessas atividades?

Tem de tudo. Portugueses, brasileiros, venezuelanos, já tivemos franceses. Gente que está passando por lá e quer fazer algo diferente. Cada vez que abrimos inscrições para o Tintas e Taças, lota.

Como os portugueses enxergam o Brasil, especialmente na arte?

O Brasil é um Portugal que deu certo, porque é muito alegre. Eles têm curiosidade sobre nós. Existe muito discurso sobre xenofobia, e eu mesma tinha medo antes de ir. Mas não é bem assim. Depende das pessoas com quem tu te relaciona. Tem gente aberta, que adora o Brasil, e tem gente mais fechada – como em qualquer lugar do mundo. Não dá para rotular um país inteiro.

A arte ajuda nessa aproximação cultural?

Com certeza. A arte é uma linguagem universal. Tu pode não falar português, não falar inglês, mas consegue se comunicar pela arte. Na Europa existe muito incentivo cultural. Há programas que financiam intercâmbios, viagens, cursos. A gente participa com a Casa das Artes e já estivemos em vários países representando Portugal e o Brasil.

Além da arte, você também tem uma trajetória acadêmica ligada à educação. Como foi essa formação?

Eu continuo sendo arte-educadora desde sempre. Minha mãe também era professora de artes e muito envolvida no movimento que garantiu a arte na LDB de 1996. Fiz licenciatura na Escola de Belas Artes da UFPel, depois uma especialização em História da Cultura e da Arte na UFMG, o mestrado em Artes Visuais na UFPel – fui da primeira turma – e o doutorado em Artes na Universidade de Antioquia, em Medellín. Meu tema sempre foi arte e educação. Porque a arte educa e a educação também é uma arte.

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