Após início oficial da colheita, Farsul analisa cenário desafiador do arroz

Safra

Após início oficial da colheita, Farsul analisa cenário desafiador do arroz

Questão comercial do cereal é definida como grande problema do setor pela entidade

Por

Após início oficial da colheita, Farsul analisa cenário desafiador do arroz
O forte da colheita do arroz na região Sul deverá acontecer na próxima semana. (Foto: Jô Folha)

A safra 2025/2026 do arroz já está em fase de colheita. Após enfrentar um ano de dificuldades, o cenário ainda é tido como desafiador pelo setor arrozeiro, que enfrenta endividamentos, disparidade de preços e falta de políticas públicas para que a cultura avance. A questão comercial é considerada o grande problema da produção orizícola, na perspectiva do diretor vice-presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Fernando Rechsteiner.

Sobre a rentabilidade do produto, o especialista analisa que, no atual cenário, o negócio do arroz ainda não está sendo viável para todos, por conta da diferença do que é pago aos produtores. “Nesses valores entre R$ 50 e R$ 60 por saco, a lavoura não sobrevive. Nós precisamos levar esses patamares minimamente para valores próximos de R$ 80, entre R$ 80 e R$ 90, para que possamos voltar a enxergar a lavoura de arroz como um negócio minimamente rentável e atrativo”, diz Rechsteiner.

Os produtores de arroz são incentivados, desde os primeiros indícios de que a cultura passaria por dificuldades, a diversificarem seus cultivos e buscarem novas alternativas. Na análise de Rechsteiner, o mercado de arroz brasileiro ficou pequeno para o tamanho da eficiência da produção do estado do Rio Grande do Sul. Então, foi necessário passar a enxergar o arroz com outras finalidades. “Nós podemos produzir etanol à base de arroz, podemos produzir óleos à base de arroz, temos o chamado resíduo dessa produção, que pode ser utilizado para a produção de proteína animal”, afirma.

Neste sentido, o representante da Farsul menciona a necessidade de se abrirem novas frentes para a comercialização do cereal. “O Rio Grande do Sul vai continuar sendo o principal fornecedor de arroz do nosso país, inclusive gerando excedentes exportáveis, mas nós precisamos de novas alternativas de comercialização”, projeta Fernando.

Situação das lavouras

A forte colheita do arroz na região Sul do Estado deve ocorrer na próxima semana. Ainda que os primeiros cereais colhidos tenham apresentado algum dano por conta das temperaturas baixas registradas em janeiro, o diretor vice-presidente da Farsul considera ser muito cedo para falar em quebra de safra, cujas expectativas ainda são positivas. Segundo ele, há uma sinalização de que as médias de produção no Rio Grande do Sul, na safra passada, provavelmente não serão atingidas nesta safra. “Isso nos dá uma indicação que, além da diminuição de safra por diminuição de área, nós podemos ter alguma diminuição também de produtividade. Isso é uma notícia ruim em termos produtivos, mas é uma notícia positiva, talvez, em termos de mercado, que pode impactar positivamente em uma recuperação mais rápida do nível de preço”, analisa.

As chuvas mal distribuídas pelo território, ao longo do ano e, principalmente no verão, também trouxeram disparidade para o produto que está sendo colhido, conforme a localização da lavoura. “Nós temos lavouras com potencial produtivo extremamente comprometido e, por outro lado, nós temos lavouras com alto potencial produtivo. Isso vai começar a ficar mais claro quando nós começarmos a colher essas lavouras”, afirma Rechsteiner.

Apoio governamental

Um problema central reforçado pelas lideranças regionais do setor orizícola, durante a 38ª edição da Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, no Capão do Leão, foi a falta de apoio do governo federal para o desenvolvimento do setor, com medidas consideradas ineficientes pelos produtores. “Nós temos um problema histórico que é justamente de apoio do setor governamental ao setor produtivo. Muito se fala em subsídios, e a agricultura brasileira é muito pouco subsidiada, fala-se em torno de 1% a 2% de subsídios para a agricultura brasileira, enquanto a agricultura europeia, a agricultura norte-americana, passam de 20%”, compara o diretor da Farsul.

Com isso, o cenário que se forma é de desconfiança. O especialista reforça a necessidade de um sistema de seguro agrícola eficiente, com renegociações de dívidas eficientes e prorrogações que estejam direcionadas à reestruturação do produtor em momentos de crise.

Ainda assim, segundo Rechsteiner, o Brasil se transformou no maior exportador líquido mundial de alimentos. “Se há algo que nós brasileiros temos que nos orgulhar é do trabalho da agropecuária, do agronegócio nacional e dos resultados que esse trabalho vem dando. Hoje a produção agropecuária brasileira alimenta 900 milhões de pessoas no nosso planeta”, exemplifica.

Conab

Com relação ao anúncio de R$ 73,6 milhões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) feito durante a abertura da colheita do arroz, o diretor vice-presidente da Farsul afirma serem números insuficientes, uma vez que, desse total, ficarão para o Rio Grande do Sul em torno de R$ 60 milhões. Ainda que seja a maior parcela de distribuição, o montante não supre as necessidades do setor produtivo. “São volumes extremamente baixos, a expectativa do setor é que fosse, no mínimo, o dobro disso. São números insuficientes, mas melhor do que nada. Deve ajudar, mas não naquele volume e intensidade que gostaríamos”, analisa.

Acompanhe
nossas
redes sociais