Há 100 anos
A comunidade de Pelotas se preparava para homenagear São Francisco de Paula, seu padroeiro, com festividade religiosa, no dia 18 de abril de 1926. Nesta data seria celebrada missa pela manhã e uma procissão pelas principais ruas do município à tarde.
O dia de São Francisco de Paula, de acordo com a igreja Católica, é 2 de abril. Porém, na época se costumava fazer a celebração festiva após a data. Para as homenagens de 1926, Flora Botelho Zambrano, casada com o coronel Rosauro Zambrano, proprietário do Theatro Guarany, encomendou ao ourives João Pinto Ferreira a confecção de um resplendor, acompanhado por cajado e escudo de prata para ornamentar a imagem do santo, que lideraria a procissão.
Devotos desde o século 18
Segundo, o historiador Mario Osorio Magalhães, no Dicionário de História de Pelotas, a origem da devoção a São Francisco de Paula remonta ao período de ocupação do território. Fugitivos da Colônia do Sacramento e da vila do Rio Grande, invadidas pelos espanhóis em dezembro de 1762 e abril de 1763, os primeiros povoadores acreditavam “de certa forma protegidos pelos banhados do São Gonçalo”, mesmo assim passaram mais de uma década sob o temor dos espanhóis. Em 2 de abril de 1776, as tensões foram dissipadas com a reconquista da vila do Rio Grande, pelos portugueses. A vitória coincidiu com o calendário católico, que homenageia São Francisco de Paula, nesta data.
Duas versões
Dezesseis anos depois, foi constituída a freguesia, nomeada por Freguesia de São Francisco de Paula. Esculpida em madeira, a imagem de São Francisco de Paula, entronizada no altar mor da Catedral, que leva o nome do santo, tem origem cercada de versões históricas. O registro foi feito em 1922 pelo historiador Fernando Osorio na obra A cidade de Pelotas.
Segundo Osorio, há duas hipóteses: a primeira aponta que a escultura teria sido trazida da Colônia do Sacramento para Mostardas por um morador, após um ataque espanhol. A segunda versão indica que a imagem teria chegado ao litoral dentro de uma caixa, após um naufrágio. Pesquisas, com base em documentos do Arcebispado do Rio de Janeiro, reforçaram a primeira versão como a mais provável.
Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; Dicionário de História de Pelotas, organizado pelos historiadores Beatriz Loner, Lorena Almeida Gill e Mario Osorio Magalhães
Há 25 anos
City tour temático pelos pontos históricos de Pelotas encantava os visitantes

Profissionais liberais, aposentados e estudantes participavam do grupo (Foto: Reprodução)
Um city tour temático em Pelotas encantava não só os turistas, mas também moradores que desejavam conhecer de perto a história da sua cidade. Um dos diferenciais do passeio era a interação com personagens que remontavam à história do município.
Durante o trajeto, em cada ponto turístico, entravam no ônibus guias vestidos rigorosamente a caráter para encenar personagens. Eram 13 profissionais da área trabalhando nesta visita guiada.
Doze guias interpretavam personagens e um outro fazia o apoio ao lado do motorista, indicando o caminho a ser percorrido. A Miss Universo Iolanda Pereira, uma operária da fábrica Fiação e Tecidos e o Coronel Pedro Osório, eram algumas dessas personificações.
Cada um dos guias pesquisou a importância do seu papel na história de Pelotas. Fiéis às caracterizações, o grupo ressaltava o longo trabalho de pesquisa para pôr o projeto em prática.
Grupo heterogêneo
Heterogêneo, o grupo autônomo era formado por profissionais liberais, aposentadas e estudantes que tinham algo em comum: o amor pela sua cidade natal. O city tour tinha duração de duas horas e meia e visitava locais como o Theatro Guarany, a Prefeitura, a Catedral São Francisco de Paula, os casarões da praça Coronel Pedro Osório e a região portuária.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense