Quase dois anos depois da enchente de maio de 2024, com recursos já anunciados e projetos protocolados, as principais obras de prevenção seguem sem avançar no ritmo esperado em Pelotas. Agora, o Ministério Público entrou no caso e cobrou explicações do governo do Estado sobre as pendências que ainda travam a aprovação de propostas ligadas ao Plano Rio Grande. Em ofício enviado à secretária Simone Stülp, do comitê científico do programa, o promotor Adriano Pereira Zibetti pede que o Estado informe quais exigências ainda não foram atendidas pelo município e quais adaptações técnicas foram consideradas necessárias.
A cobrança aparece num momento em que o debate já vinha esquentando. Em entrevista à Rádio Pelotense, o prefeito Fernando Marroni (PT) afirmou que os repasses do Funrigs estão saindo “aos poucos” e que as obras de reconstrução demoram mais do que o esperado. Segundo ele, Pelotas recebeu R$ 997,7 mil para levantamento hidrológico e cerca de R$ 4,5 milhões para uma rede coletora de esgotamento pluvial no Vasco Pires e arredores, enquanto o conjunto de intervenções necessário para o sistema de contenção de cheias do município gira em torno de R$ 60 milhões. A prefeitura também aguarda análise de projetos para o novo dique do Balneário Valverde, dragagem, novas casas de bombas no Laranjal, ampliação da cota de inundação do dique leste e estruturas de bombeamento para outras áreas da cidade.
Do lado do Estado, a Secretaria da Reconstrução Gaúcha diz que não há atraso na parte que cabe ao governo estadual. Em nota, a pasta informou que já aprovou cerca de R$ 13 milhões para projetos de contenção de cheias em Pelotas e sustentou que o repasse depende de etapas como contrato e licitação, que são de responsabilidade da prefeitura. A secretaria também afirmou que já realizou uma série de reuniões técnicas com o município e indicou preocupação com a velocidade de evolução das propostas.
Além da cobrança política, o tema passa pela área técnica da prefeitura. A Secretaria de Urbanismo vem tratando os projetos como parte de um pacote mais amplo de reestruturação da cidade após a enchente, com foco em drenagem, contenção e reorganização de áreas vulneráveis. Isso significa um conjunto de intervenções que depende de estudos, ajustes técnicos, validação do Estado e posterior contratação. É esse percurso que o Ministério Público tenta esclarecer ao pedir que o governo estadual detalhe quais adaptações foram exigidas de Pelotas.
Outra vez dela
Após a publicação do texto do fim de semana, que destacou cinco mulheres pelotenses como candidatas à Assembleia Legislativa, a vereadora Marisa Schwarzer (PSDB) fez contato com a coluna para informar que também estará na disputa. Segundo ela, a decisão já está tomada desde o ano passado, embora ainda não tivesse sido tornada pública.
A partir desse movimento, o cenário local ganha mais um nome dentro do mesmo contexto apresentado anteriormente. A pré-candidatura de Marisa amplia o grupo de mulheres com projeção política na cidade que buscam espaço no Legislativo estadual, reforçando a presença feminina em diferentes campos partidários. Internamente, a vereadora relata que o momento agora é de articulação com o partido para dimensionar as condições da campanha, especialmente no que diz respeito à disponibilidade de recursos e à estrutura eleitoral. Esse fator tende a influenciar diretamente no alcance da candidatura.
Em 2022, quando filiada ao PSB, Marisa fez 10.222 votos para deputada federal. Agora, a entrada na disputa eleitoral da vereadora também dialoga com o momento do PSDB no Rio Grande do Sul, que passa por um processo de reestruturação e busca renovar seus quadros com candidaturas competitivas. Com isso, o cenário desenhado na coluna se amplia, mantendo a mesma linha de leitura: há um conjunto crescente de mulheres com intenção real de disputa e inserção efetiva no jogo eleitoral.
Secretaria da Mulher
A nova secretária da Mulher do Estado tem ligação direta com Pelotas. Ana Costa, que assume a pasta, construiu a maior parte da trajetória na gestão pública do município. Ela estava desde 2021 como secretária-adjunta da Saúde no governo estadual e, antes disso, foi diretora de Ações em Saúde. Em Pelotas, atuou desde 2006 como servidora e gestora, até chegar ao comando da Secretaria Municipal de Saúde entre 2017 e 2018, no governo de Paula Mascarenhas. Com formação em Fonoaudiologia, mestrado pela UCPel e doutorado pela Furg, Ana também teve participação em programas públicos nas áreas de saúde e prevenção à violência. Agora, assume a Secretaria da Mulher no Estado. Ainda estão vagas as secretarias de Relações Institucionais (que era de Paula Mascarenhas), de Turismo e de Esporte e Lazer. O vereador Carlos Junior (PSD) é um dos cotados para a pasta esportiva.