IPO: três décadas de pesquisa, opinião e credibilidade

30 anos de serviços

IPO: três décadas de pesquisa, opinião e credibilidade

Instituto Pesquisas de Opinião (IPO) nasce na UFPel e hoje atende o mercado nacional

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Atualizado sábado,
04 de Julho de 2026 às 09:03

IPO: três décadas de pesquisa, opinião e credibilidade
Na era da tecnologia, entrevistas são feitas presencialmente (Foto: Divulgação)

Entender como uma sociedade se comporta, suas demandas, o que e como consome e o que pensa sobre seus governantes poderia ser mensurado apenas em números e na interpretação deles. Mas um diferencial que coloca o Instituto Pesquisas de Opinião (IPO) de Pelotas entre as principais referências em pesquisa de mercado brasileiro é a união do conhecimento científico e o olhar humano para elaborar perguntas assertivas e assim obter respostas espontâneas e sinceras. Criado em 1996 dentro da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o IPO completa 30 anos de consolidação e expande seus serviços em todo Brasil.

Segundo a fundadora e cientista social Elis Radmann, o instituto nasceu com um propósito claro de levar para o mercado o conhecimento produzido pela universidade. “Na época, os grandes institutos de pesquisa mantinham pouca relação com o meio acadêmico, e a nossa proposta foi unir esses dois universos, transformando métodos científicos em instrumentos para compreender consumidores, eleitores, empresas e governos”, destaca. Elis explica que a ideia de pesquisa vai além de uma pergunta específica para ver a opinião. “É entender que a opinião move o mundo em todos os campos”.

Ao longo das três décadas, a pesquisadora observa que o crescimento ocorreu de forma orgânica, sustentado pela confiança construída junto aos clientes. “O Ipo não tem setor comercial. É uma marca que é vendida naturalmente de uma pessoa para outra”, destaca. Para ela, não houve um momento específico de consolidação, mas um processo permanente de evolução, marcado pela busca constante por aperfeiçoamento metodológico. Nunca ficamos sem clientes, porque um indica para outros”.

Adaptações

Para acompanhar as mudanças da sociedade e também a forma de pesquisar, Elis pontua três ciclos. O primeiro foi a aproximação entre universidade e mercado. O segundo integrou as pesquisas quantitativas e qualitativas em um método híbrido de análise. “Agora, o terceiro momento é marcado pela incorporação da inteligência artificial como ferramenta de apoio ao trabalho humano”, conta.


Instituto faz busca constante pelo aperfeiçoamento metodológico (Foto: Divulgação)

Apesar dos avanços tecnológicos, Elis defende que a pesquisa presencial continua sendo o método mais confiável para captar a opinião da população. Segundo ela, o aumento dos golpes virtuais e da desconfiança em relação a ligações telefônicas e formulários digitais fez com que o contato direto voltasse a ganhar importância. “O olho no olho continua sendo a melhor forma de compreender a sociedade. A tecnologia auxilia, mas não substitui a confiança construída na entrevista presencial”, afirma. Embora o IPO utilize recursos digitais para comparação de dados, a maior parte dos levantamentos ainda é realizada porta a porta.

Empreendedorismo

Pouca gente sabe, porém, que a empresária reconhecida nacionalmente nunca imaginou construir uma empresa. “Eu nasci dentro do IPO com a ideia de ser cientista social, de ficar fazendo análises”, conta. “Só muitos anos depois descobri que também era empreendedora.” A ficha caiu quando recebeu um prêmio de empreendedorismo na Zona Sul. Até então, enxergava-se apenas como pesquisadora. Hoje entende que as duas funções caminham juntas e ampliam sua responsabilidade. “Como empreendedora, eu tenho responsabilidade com o conhecimento produzido, mas também com as pessoas que trabalham comigo, com os clientes e com toda a rede construída ao longo desses anos.” Essa percepção nasceu aos poucos, como ela mesma compara, “igual a um vinho, que ganha maturidade com o tempo”.

Direitos Humanos

Entre os estudos que mais marcaram sua trajetória está uma pesquisa nacional sobre direitos humanos. Um dos resultados surpreendeu a equipe: quando questionados sobre qual lei deveria existir no Brasil, a resposta mais frequente foi a criação de uma legislação que obrigasse políticos a cumprir as promessas de campanha. “Esse debate praticamente não aparecia nas redes sociais nem na imprensa, mas surgiu espontaneamente entre a população. É isso que a pesquisa faz: revela aquilo que muitas vezes está fora do debate público.”

Polarização vai além da política

Em um ano eleitoral, Elis também chama atenção para a necessidade de compreender a polarização sob uma perspectiva mais ampla. Na avaliação dela, o fenômeno não se resume à disputa entre partidos ou lideranças políticas, mas reflete mudanças culturais profundas vividas pela sociedade.

Terceiro ciclo marca a chegada da IA como ferramenta de apoio (Foto: Divulgação)

Segundo a cientista social, temas ligados aos costumes, às transformações digitais e às mudanças de comportamento despertam insegurança e alimentam posições cada vez mais extremadas. Para ela, esses debates precisam ser retomados em espaços como famílias, escolas, igrejas e universidades.

“A sociedade vive um processo acelerado de transformação e muitas pessoas perderam suas referências. Precisamos discutir respeito, convivência e valores, porque a polarização faz mal para as famílias, para a educação e para o desenvolvimento da sociedade.” Ela também defende uma maior aproximação entre universidades e comunidades, levando conhecimento científico para além dos muros acadêmicos. “A educação continua sendo o principal caminho para enfrentar problemas sociais complexos. Não basta apenas punir; é preciso incluir as pessoas no debate e construir soluções coletivamente.”

Patrimônio

Com atuação em dezenas de municípios gaúchos e milhares de pesquisas realizadas, ela afirma que o maior patrimônio do IPO continua sendo a confiança conquistada no mercado.

“Temos acesso a muitas informações e tendências, mas jamais utilizamos qualquer dado em benefício próprio. Nossa história foi construída com ética, responsabilidade e comprometimento. É isso que sustenta o IPO há três décadas.”

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