Rio Grande e Pelotas têm situações opostas na geração de empregos em maio

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Rio Grande e Pelotas têm situações opostas na geração de empregos em maio

Embora a queda na criação de postos de trabalho tenha sido observada nas duas, Pelotas teve redução mais expressiva

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Rio Grande e Pelotas têm situações opostas na geração de empregos em maio
Zona Sul teve queda na geração de empregos no mês (Foto: Agência Brasil)

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta terça-feira (30), os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que trouxeram dados alarmantes sobre a geração de empregos no mês de maio de 2026. De acordo com a estimativa, o Brasil criou 72.960 vagas no período, sendo o menor saldo do ano para um mês, superando negativamente o mês de abril deste ano, quando o país criou 79.526 postos de trabalho. O resultado acumulado de janeiro a maio também é o pior desde a pandemia.

Entre Pelotas e Rio Grande, cidades vizinhas, o cenário foi diferente, mesmo com a perda na geração de empregos sendo observada nas duas cidades no mês. Enquanto Rio Grande apresenta um saldo negativo de duas vagas, Pelotas perdeu 241 postos de trabalho.

Ao final do levantamento de maio, o Caged aponta que Pelotas tem, no total, 64.971 vínculos empregatícios de carteira assinada, enquanto que Rio Grande acumula 40.626 pessoas empregadas formalmente.

Para o economista e professor da Universidade Federal de Rio Grande (Furg), Eduardo Tillmann, o resultado de maio precisa ser interpretado dentro de um contexto macroeconômico mais amplo. Apesar das reduções recentes da taxa Selic, o nível dos juros ainda permanece elevado, mantendo o crédito caro e reduzindo o ritmo do consumo das famílias e dos investimentos das empresas. “Esse ambiente tende a afetar principalmente os setores de comércio e serviços, que são mais sensíveis ao comportamento da demanda”, afirma.

Pelotas

Em maio, o Rio Grande do Sul também apresentou saldo negativo de empregos e o Brasil registrou a menor geração de vagas do ano até agora. Para o economista, estes fatores não estão deslocados da realidade regional mostrada nos números do Caged.

Nesse contexto, Pelotas acompanhou a tendência observada no Estado. Tillmann destaca a economia da cidade fortemente baseada no comércio e nos serviços voltados ao consumo das famílias, como fator relevante para a perda. Segundo ele, esses setores tendem a sentir mais rapidamente os efeitos dos juros elevados e da desaceleração da atividade econômica.

Além disso, há um componente sazonal importante: a perda de vagas na Indústria de Alimentos (-80) é compatível com o encerramento do período de maior processamento da safra na região. No comércio, o resultado também pode refletir um ajuste, após as contratações realizadas nos primeiros meses do ano, em um ambiente de menor dinamismo da demanda.

Rio Grande

A cidade vizinha apresentou um comportamento relativamente mais favorável. O saldo de duas vagas representa, na prática, estabilidade no mercado de trabalho, de acordo com o economista.

O principal destaque foi a Indústria de Transformação (+71 vagas), especialmente a Fabricação de Produtos Químicos (+50), resultado que parece estar mais associado à movimentação do polo de fertilizantes e do complexo portuário do que propriamente ao polo naval. “A atividade portuária e industrial acaba gerando demanda para outros segmentos, como serviços e construção civil, ajudando a sustentar o nível de emprego no município”, avalia Tillmann.

A Zona Sul do Estado seguiu a mesma tendência, com um saldo negativo de 831 vagas de emprego formais, resultado da diferença entre 5.282 admissões e 6.113 demissões. Os setores com maior perda na geração de emprego regional em maio foram a agropecuária e o comércio.

Caged de maio de 2026 – Pelotas

  • Admissões: 2.353
  • Desligamentos: 2.594
  • Geração de empregos: – 241 vagas
  • Estoque de vagas: 64.971
  • Agropecuária: – 10
  • Indústria: – 75
  • Construção: – 46
  • Comércio: – 98
  • Serviços: 18

Caged de maio de 2026 – Rio Grande

  • Admissões: 1.677
  • Desligamentos: 1.679
  • Geração de empregos: – 2 vagas
  • Estoque de vagas: 40.626
  • Agropecuária: – 58
  • Indústria: 68
  • Construção: 12
  • Comércio: – 45
  • Serviços: 21

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