Embrapa busca adaptar protocolos de rastreabilidade na cadeia do arroz

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Embrapa busca adaptar protocolos de rastreabilidade na cadeia do arroz

Unidade procura soluções para atender regulamentação da União Europeia

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Embrapa busca adaptar protocolos de rastreabilidade na cadeia do arroz
Objetivo é garantir transparência sobre a origem dos produtos aos importadores e consumidores finais (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Um projeto desenvolvido pela Unidade Embrapa Agricultura Digital busca adaptar protocolos de rastreabilidade à cadeia produtiva do arroz em Pelotas. A ideia, que é trabalhada desde meados de 2020, segue exigências crescentes do mercado internacional de acompanhar o histórico do cereal, desde a lavoura até o mercado.

Segundo Giovani Theisen, da chefia de pesquisa e desenvolvimento dos núcleos temáticos de sistemas de produção integradas da Embrapa Clima Temperado, o objetivo central é garantir mais transparência sobre a origem dos produtos. “A ideia também é colocar nos produtos para o consumidor ter uma maior confiança naquilo que está adquirindo.”

Ele lembra que o trabalho ganhou força em Pelotas a partir de uma parceria com a indústria Arrozeira da cidade. “Foi feito um trabalho pioneiro em termos dessa magnitude, que iniciou em 2022, 2023, e hoje a empresa anda por ela mesma. A Embrapa fez esse trabalho inicial junto”, explica.

A ampliação das exigências ambientais e de rastreabilidade para a exportação para à União Europeia é um dos fatores que impacta diretamente o agronegócio brasileiro. A partir de 30 de dezembro de 2026, as exportações das grandes empresas e operadores precisam atingir 100% de conformidade de protocolos de rastreabilidade. A medida vale a partir de 30 de junho de 2027 para micro, pequenas e médias empresas. A certificação pode facilitar exportações e agregar valor ao produto. “Não só para abertura de novos mercados, mas até para ganhar um preço melhor. Em alguns mercados você consegue uma bonificação por esse produto”, conta Theisen.

Crise no arroz exige abertura de novos mercados

Diante do cenário econômico difícil enfrentado pelos produtores, a rastreabilidade aparece como ferramenta estratégica. Nessa realidade, exportar tornou-se importante para equilibrar preços internos. “A produção de arroz hoje aqui no Estado passa cada vez mais por margens apertadas de lucratividade do produtor. As exportações têm ganhado importância na questão da regulação de preços aqui para os produtores.”

O tema toma ainda mais peso do ponto de vista estratégico pela importância da produção gaúcha para a segurança alimentar nacional. A produção local é responsável por atender 70% do arroz nacional. “Cada dia, aproximadamente 120 a 150 milhões de brasileiros dependem desses sistemas de produção aqui das nossas terras baixas.”

Theisen reforça que toda a pesquisa desenvolvida pela Embrapa busca gerar retorno econômico ao agricultor. “O produtor deve fazer a rentabilidade acontecer. Esse é o nosso objetivo.”

Canola e carinata aparecem como novas oportunidades econômicas

Dentre as alternativas para a crise do arroz, Theisen destaca o crescimento da canola e o potencial da carinata. Isso já vem se tornando realidade na região de Pelotas. Na estimativa da safra de inverno 2026, a Emater apontou a canola como principal destaque, ocupando quase 10 mil hectares plantados. A nível estadual, a produção da planta quase dobrou de tamanho em relação ao último ciclo. “A canola é uma delas, é uma cultura que nos últimos 10 anos aumentou exponencialmente aqui no Estado.”

Sobre a carinata, Thiesen aponta a importância da produção pelo alto valor do produto. “É uma planta similar à canola, mas cujo óleo não serve para consumo humano e é destinado principalmente à aviação. É um produto de alto valor agregado.”

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