Setor arrozeiro condiciona acesso ao Plano Safra a dívida e juros menores

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Setor arrozeiro condiciona acesso ao Plano Safra a dívida e juros menores

Federarroz defende custeio abaixo de 10% ao ano e R$ 4 bilhões para seguro rural

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Atualizado domingo,
28 de Junho de 2026 às 13:06

Setor arrozeiro condiciona acesso ao Plano Safra a dívida e juros menores
Alto envididamento dos produtoes tem preocupado lideranças do agro (Foto: Paulo Rossi)

O Plano Safra 2026/2027 pode não alcançar parte dos produtores de arroz se não vier acompanhado de medidas para renegociação de dívidas e redução do custo do crédito. A avaliação é da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), que aponta a necessidade de repactuação de dívidas agrícolas como essencial ao setor, assim como a subvenção ao custeio agrícola e o seguro rural como fatores para definir o acesso ao financiamento da próxima safra.

O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, afirma que o alto endividamento do setor pode impedir a contratação de novas linhas por produtores que dependem do custeio para seguir na atividade. “Precisamos de um grande suporte governamental, sem isso, grande parte dos produtores não terá acesso ao crédito diante das dificuldades que encontramos”, diz Nunes.

O dirigente cita o PL 5.122/2023 como uma iniciativa importante, desde que efetivamente chegue a tempo no produtor rural. O projeto autoriza a criação de uma linha especial de financiamento para produtores rurais afetados por eventos climáticos. Para a Federarroz, a proposta precisa avançar antes da operacionalização do Plano Safra, já que a existência de recursos não garante acesso para agricultores com restrições financeiras.

A entidade também defende que a subvenção ao custeio agrícola da agricultura empresarial resulte em taxas de juros inferiores a 10% ao ano. Segundo o dirigente, o custo do dinheiro será determinante para a capacidade de pagamento em uma safra marcada por preços mais apertados no arroz.

O presidente da Federarroz avalia que juros de dois dígitos podem comprometer a viabilidade econômica da atividade no próximo ciclo. “Nas condições que temos agora, principalmente no arroz, não há como viabilizar o pagamento com juros acima de 10% ao ano”, observa Nunes.

A forma de liberação dos recursos é outro ponto acompanhado pela Federarroz. Nunes lembra que o Plano Safra autoriza as instituições financeiras a operar o crédito, mas os bancos precisam buscar fontes como Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), poupança rural e outras linhas previstas para financiar os custeios.

A liberação pelas instituições financeiras deve influenciar o acesso efetivo às linhas anunciadas. “O Plano Safra não representa simplesmente a entrega de R$ 500 bilhões ou R$ 600 bilhões, mas a autorização para que os bancos busquem recursos e liberem o crédito”, explica o presidente da Federarroz.

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