A Zona Sul do Rio Grande do Sul possui condições de ampliar seu desenvolvimento econômico por meio do turismo, da inovação, da agroindústria e da geração de energia. Esta foi a avaliação compartilhada por especialistas durante a primeira edição do programa IBEF Visita em Pelotas, realizada nesta terça-feira (23), no Parque Una.
Promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Rio Grande do Sul (IBEF-RS), o encontro reuniu empresários, executivos e representantes do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para discutir o papel do crédito e dos investimentos no crescimento da região.
Gerente adjunto de Planejamento para a Metade Sul do BRDE, Alexandre Ness disse que a região tem vocações econômicas já estruturadas e outras em expansão. Entre elas, citou o turismo, a agroindústria e a produção de energia renovável, seja eólica ou solar. Segundo ele, a inovação surge como um dos diferenciais para acelerar esse processo.
“Estamos percebendo uma mudança cultural. Pequenas e médias empresas estão começando a olhar mais para a inovação. Também vemos iniciativas importantes surgindo na região, criando um ambiente que pode gerar resultados relevantes nos próximos anos”, afirmou.
Ele também defendeu que inovação e turismo caminham lado a lado. Como exemplo, citou cidades europeias que conseguiram associar ambientes inovadores à atividade turística, como Barcelona (ESP), e Lisboa (POR). Para ele, um cenário de maior atratividade na Costa Doce Gaúcha depende do fortalecimento da infraestrutura, da rede de serviços e da economia da experiência.
Crédito para crescer
Superintendente adjunto do BRDE, Paulo Raffin afirmou que a procura por financiamentos empresariais voltou a crescer após as enchentes de 2024. Apesar disso, as taxas de juros elevadas ainda limitam parte dos investimentos. “Os juros altos inibem a demanda, mas existem linhas voltadas para projetos de desenvolvimento de longo prazo que não dependem diretamente da Selic e seguem sendo bastante procuradas”, explicou.
No Sul do RS, Raffin apontou que os principais pedidos de financiamento estão ligados à infraestrutura do agronegócio, além de investimentos em inovação. “Pelotas se consolidou como um polo importante de inovação; existe uma procura crescente por crédito para esse segmento”, afirmou.
Entre as alternativas disponíveis, o executivo destacou as linhas voltadas à inovação operadas em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que oferecem condições mais competitivas para empresas interessadas em desenvolver novos produtos e tecnologias.
Para Raffin, um dos principais obstáculos enfrentados pelos empreendedores está na estruturação adequada dos projetos. “Muitas vezes existe uma boa ideia, mas falta transformar essa proposta em um projeto que tenha condições de obter financiamento”, observou.
Exemplo local e visita técnica
Na parte da tarde, ocorreu uma visita técnica à LifeMed, empresa do setor de tecnologia médico-hospitalar instalada em Pelotas. Diretor industrial da companhia, Luiz Linares apresentou os projetos desenvolvidos em conjunto com universidades, institutos de pesquisa e o Pelotas Parque Tecnológico. Entre as iniciativas está a implantação do Hub de Saúde e Biotecnologia, com investimento via Finep de cerca de R$ 20 milhões.
Segundo Linares, a ideia é aproximar pesquisadores, empreendedores e empresas e criar condições para que novas tecnologias sejam criadas e fiquem na região. “Acreditamos que essa é uma forma de fomentar a inovação tecnológica, gerar oportunidades e permitir que talentos formados nas universidades possam empreender sem precisar deixar a região”, destacou.
