Borghetti celebra com show os 40 anos do primeiro disco da carreira

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Borghetti celebra com show os 40 anos do primeiro disco da carreira

Gaiteiro se apresenta na noite desta quarta-feira (17), no Theatro Guarany

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Atualizado terça-feira,
16 de Junho de 2026 às 18:23

Borghetti celebra com show os 40 anos do primeiro disco da carreira
Renato Borghetti divide o palco com o filho Pedro e o violonista Neuro Júnior (Foto: Jorge André Hunger)

Um dos maiores nomes da música instrumental brasileira está de volta a Pelotas para uma celebração histórica. Nesta quarta-feira (17), às 20h, o virtuoso Renato Borghetti sobe ao palco do Theatro Guarany para comemorar os 40 anos de lançamento do seu icônico primeiro disco, de 1984, trabalho que imortalizou composições como Milonga para as Missões, de Gilberto Monteiro. O espetáculo, promovido pelo projeto Arte Sesc, promete uma noite de reencontro com o público pelotense e de exaltação à cultura gaúcha através dos botões da gaita-ponto.

Embora o marco oficial seja o quadragésimo aniversário daquela primeira gravação, Borghetti confessa, entre risos, que sua estrada é ainda mais longa: “Se eu pensar em termos de música, já dá um pouquinho mais”, fala. O músico recorda suas participações em festivais no final dos anos 1970, como a Califórnia da Canção Nativa. Contudo, reconhece o impacto estrondoso da sua estreia fonográfica, que acabou fazendo história ao receber o primeiro disco de ouro da música instrumental do país. “Eu nem sabia que eu fazia música instrumental. Eu queria fazer um disco sem cantar, porque eu não canto, né?”, diverte-se o artista.

Naquela época, produzir um trabalho independente era um grande desafio. Borghetti conta que gravava de madrugada, aproveitando os horários em que o estúdio estava ocioso. Sem ter uma banda formada e considerado, logo no início, como o gaiteiro de outros grupos, o sucesso avassalador o forçou a se descobrir como artista solo e instrumentista.

Em trio

Com cerca de 30 trabalhos gravados e turnês frequentes pela Europa, Borghetti vê com naturalidade a aceitação de sua música no exterior, pontuando que a gaita é, originalmente, um instrumento europeu que ganhou “sotaque gaúcho” na América do Sul. Para o show no Guarany, o instrumentista traz uma oxigenação especial ao palco: na companhia do violonista de sete cordas Neuro Júnior e de Pedro Borghetti, filho do gaiteiro, no bombo leguero.


Músico criou projeto para manter viva a história da gaita ponto (Foto: Divulgação)

Essa convivência com a nova geração tem sido um combustível para o gaiteiro. “Eles estudam muito. Então, eles estão com os dedos ligeiros, tudo na ponta dos cascos. Aí eu tenho que correr atrás também”, elogia. No palco, o repertório não segue um modelo rígido, pelo contrário, Borghetti traça uma linha de apresentação pouco antes do show, alicerçada em composições que não podem faltar, especialmente deste primeiro disco. Mas o trabalho flui também conforme a energia da plateia.

Fábrica de Gaiteiros

Além dos palcos, o legado de Renato se estende para o futuro através do projeto social Fábrica de Gaiteiros, que hoje atende 700 alunos com aulas individuais em 27 escolas no RS e SC. Criado há 15 anos, o projeto surgiu quando a gaita botoneira estava em baixa e corria o risco de desaparecer. Borghetti, que ganhou a primeira gaita quando tinha cerca de 12 anos, na época, para esse jovenzinho, o que parecia um brinquedo, tornou-se um grande amor e uma profissão.

Para Borghetti, o projeto tem cumprido sua função e garantiu a sobrevivência do instrumento por mais um século, cumprindo seu papel mais nobre: “O nome Fábrica de Gaiteiros não é no sentido de formar gaiteiros profissionais, é no sentido da gaita, da música, da arte, de ser uma ferramenta de cidadania, de inclusão, de pertencimento e até melhorar a relação familiar, a relação pessoal, esse é o objetivo principal, mas claro que se eles (os alunos) se tornam gaiteiros e profissionais, não vou ficar brabo”, comenta.

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