A inauguração do novo Hospital Regional Pronto-Socorro de Pelotas (HRPS), prevista inicialmente para o dia 30 de junho, foi adiada por pelo menos 60 dias. A prefeitura alega problemas técnicos no sistema de climatização. Segundo o prefeito Fernando Marroni (PT), a principal falha está no sistema central responsável pelo ar-condicionado e pelo aquecimento de água, que precisará passar por adaptações. Segundo ele, o município já trabalha em medidas emergenciais para minimizar os impactos na rede pública de saúde enquanto a nova unidade não entra em funcionamento.
Pelo menos mais 60 dias
A empresa responsável pelo fornecimento do sistema, sediada em Minas Gerais, já iniciou as modificações dentro do canteiro de obras. A intervenção inclui o desmanche de uma parte do sistema que precisa de adaptação. A prefeitura evita trabalhar com uma nova data oficial para inauguração, mas o prefeito garante que a obra deverá levar, pelo menos, mais 60 dias. “Menos de 60 dias não vai levar”, afirma.
Apesar da necessidade de intervenção técnica, o prefeito garantiu que não haverá reajustes ou necessidade de revisão contratual envolvendo a obra.
Sistema não foi projetado para região Sul
Segundo Marroni, o cronograma da obra estava ajustado para que a entrega ocorresse entre o fim de junho e o início de julho. No entanto, durante os testes, foi identificada uma incompatibilidade no sistema central de climatização. “Como se trata de uma obra com muitas especialidades, constatamos na hora de botar para testar o ar-condicionado, que na verdade é uma central, e esse projeto foi um projeto copiado de um projeto implantado lá na Bahia.”
Ele explicou que o sistema foi projetado originalmente para uma região onde não existe necessidade de aquecimento. “Lá na Bahia não tem água quente e nem ar quente. Eis o problema. Na hora de botar para funcionar, quando se buscou inverter a temperatura nos testes, não tem calefação. Então isso impossibilita o funcionamento do hospital por conta da temperatura aqui.”
Além da climatização, a mesma central é responsável pelo abastecimento de água quente nos quartos e demais áreas da unidade, o que ampliou a necessidade de intervenção. “Também não tem água quente, um sistema de linha de água quente pra banho, higiene, etc. Então esse sistema de calefação e água quente é o mesmo. Essa central está sendo agora readaptada pra isso.”
O prefeito garante que as demais questões já estão praticamente resolvidas. “Tudo isso tem tempo pra até o final do mês ser colocado em funcionamento. Isso aí não teria problema. O problema de prazo mesmo agora é esse de refazer a central do ar-condicionado.”
Simulação do GHC também exige tempo
Mesmo após a conclusão das adaptações, o hospital ainda precisará passar pelo chamado processo de comissionamento, etapa de simulação operacional conduzida pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), que fará a gestão da unidade. Segundo o prefeito, essa etapa é indispensável por se tratar de uma transferência delicada da atual estrutura. “Entre a conclusão dessa adaptação e os novos testes, pelo menos mais uns 60 dias para mais. Estamos trabalhando aí com um esforço concentrado nessa central de água quente e ar-condicionado.”
Município contratará 20 leitos extras na Santa Casa
O adiamento gera impacto direto na rede municipal, principalmente porque o novo pronto-socorro teria papel importante no período de inverno, ampliando a capacidade de internação com novos leitos de retaguarda. Como alternativa temporária, a prefeitura confirmou contratação emergencial junto à Santa Casa. “O mais importante no novo pronto-socorro seria ter os leitos de retaguarda agora pra essa fase de inverno e da emergência que a gente tá vivendo. Mas a gente já contatou a Santa Casa, nós vamos contratar mais 20 leitos para amenizar esse impacto.”
