Setor de serviços puxa aumento de vagas de emprego em Pelotas

Trabalho

Setor de serviços puxa aumento de vagas de emprego em Pelotas

Dados do Novo Caged referem-se à diferença entre admissões e demissões em abril deste ano

Por

Setor de serviços puxa aumento de vagas de emprego em Pelotas
Rio Grande e Pelotas tiveram desempenhos diferentes. (Foto: Jô Folha)

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de abril de 2026, onde Pelotas e Rio Grande aparecem com um crescimento tímido na geração de postos de trabalho. No entanto, segundo especialistas, os dados mostram que, neste mês, as duas cidades vizinhas caminharam em direções opostas. Pelotas segurou o emprego reforçando o setor de serviços diante de um varejo desaquecido. Já Rio Grande operou na atração de capital para a indústria, mesmo com o seu consumo interno retraído.

Em Pelotas, abril teve um saldo positivo de 86 vagas de emprego criadas, a partir da diferença entre 2.682 admissões para 2.596 demissões. O destaque ficou com os serviços, que geraram 160 postos de trabalho em abril, enquanto a indústria pelotense registrou um saldo negativo de 66 vagas.

Em Rio Grande o caminho foi inverso: o setor de serviços foi o de maior perda, com queda de 70 postos de trabalho, e a indústria, muito impulsionada pelo setor portuário, criou 94 vagas. Com uma movimentação menor, na comparação com Pelotas, a cidade registrou um saldo positivo de cinco novas vagas de emprego, a partir da diferença entre 1.654 admissões para 1.649 demissões.

Movimento dentro do padrão

Para o professor de economia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Gabrielito Menezes, a situação não é anormal para a região. A geração de vagas de Pelotas, que destaca o setor de serviços, consolida o município como um grande polo, provedor de bens intangíveis, como saúde, educação e administração da Zona Sul. “Esses serviços costumam ter uma demanda inelástica, ou seja, as contratações se mantêm mesmo quando a economia oscila”, afirma.

A perda acentuada em Pelotas, segundo o especialista, indica uma clara restrição de demanda agregada. “Custo de crédito, perda de poder de compra das famílias afeta imediatamente o varejo e a produção local de bens na cidade”, diz Menezes.

Caso inverso

A partir da divulgação dos dados do Caged, o economista analisa que, em Rio Grande, a situação é inversa à observada em Pelotas, mas advém das características próprias da cidade e da sua vocação industrial. Ainda, Menezes destaca a possibilidade de, a partir da retração nos serviços, as famílias rio-grandinas poderem estar usando suas rendas para baterem o endividamento, em vez de consumir do varejo local.

O economista destaca que Rio Grande é uma cidade industrial e tem um paradoxo no consumo. Sendo o oposto do que se observa em Pelotas, ainda que vizinhas, a cidade tem uma economia ancorada no setor secundário. “Esse crescimento da indústria, da construção, não é necessariamente sazonal do varejo, mas tem uma indicação de ciclos de investimento de capital, obras e infraestruturas”, afirma.

A dificuldade de circulação da economia na cidade é evidenciada pelos números. “O grande alerta econômico, que é o paradoxo, a queda de 70 vagas nos serviços e 67 no comércio do Rio Grande, mostra que a renda gerada pela indústria não está circulando na economia doméstica”, alerta Gabrielito.

Acompanhe
nossas
redes sociais