Pelotas recebe nesta terça-feira (28), uma edição do evento “Junto com o Revendedor”, promovido pelo Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Rio Grande do Sul (Sulpetro). O encontro ganha relevância no cenário atual, onde o setor de revenda de combustíveis enfrenta o desafio de equilibrar custos crescentes com uma vigilância rigorosa de órgãos de defesa do consumidor. De acordo com o presidente do Sulpetro, Fabrício Severo Brás, um dos principais objetivos da agenda é esclarecer a dinâmica de preços que, muitas vezes, é mal compreendida pela população.
Um dos pontos centrais do debate será a defesa da transparência na revenda. Brás destaca que o posto de combustível é apenas a ponta final de uma engrenagem que começa nas refinarias, passa pelos importadores e pelas distribuidoras. “Nós somos a face mais exposta ao consumidor, mas o revendedor não tem autonomia para segurar altas que vêm de etapas anteriores. A gente simplesmente repassa o que recebe. O aumento começa muito antes de chegar à bomba”, explica o presidente.
Além disso, o presidente contesta a ideia de que o aumento de preços resulta em maiores lucros. Pelo contrário, segundo Brás, a alta dos combustíveis prejudica o empresário: quanto mais caro o produto, maior é a necessidade de capital de giro. Sendo assim, o dono do posto precisa manter mais dinheiro em caixa para repor o estoque, o que eleva os riscos financeiros e os custos operacionais do negócio.
Rigor na Fiscalização e Ausência de Abusividade
Brás enfatizou que o setor é um dos mais fiscalizados do país e que a questão dos preços abusivos é tratada com seriedade pelo Sulpetro. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) e os Procons têm intensificado as inspeções, exigindo a apresentação de notas fiscais de compra e cupons de venda para verificar as margens aplicadas.
No Rio Grande do Sul, o balanço recente é positivo. Segundo Brás, apesar das intensas fiscalizações em cidades como Pelotas, não foram identificados casos relevantes de abusividade. “O revendedor precisa mostrar que o ajuste só foi feito após o recebimento do produto com o novo custo. Não há margem para antecipar reajustes de forma especulativa sem ser penalizado”, afirma.
Impacto do Diesel
Outro tópico que será aprofundado com os revendedores é o impacto da importação de diesel, produto essencial para o transporte de cargas e alimentos. Como o Brasil importa cerca de 30% do diesel consumido, o setor fica refém da política de preços internacional e da volatilidade do dólar.
O sindicato tem acompanhado as medidas de subvenção do governo federal e estadual, mas Brás faz reforça que o impacto dessas medidas demora a chegar ao consumidor final. “Só haverá redução na bomba quando o revendedor receber o produto com o custo reduzido na distribuidora. Enquanto o estoque for de preço alto, o valor da bomba precisa refletir esse custo para que o posto consiga se manter operando”, conclui.
