Ainda temos a boemia?

Opinião

Helena Tomaschewski

Helena Tomaschewski

Estudante de Direito

Ainda temos a boemia?

Por

Recentemente, eu e meu irmão fomos confrontados com uma pesquisa. Ela relatava que nós fazemos parte da geração que menos bebe e fuma. Tivemos a mesma reação — e não foi nada parecida com orgulho. Um silêncio de confusão e uma única pergunta em comum:

— Quem foram os entrevistados?

Absolutamente todos os nossos amigos bebem e fumam. Ou só bebem, ou só fumam. Comecei a me perguntar se estávamos na parcela “corrompida” da sociedade. Falei para o mano:

— Ah, daqui a pouco eles entrevistaram aquele pessoal estranho. Só fica em casa e, quando sai, anda em cardume.

Sim, quando me encontro em certos momentos, parto para o politicamente incorreto. Meu irmão respondeu, também de forma politicamente incorreta:

— Não! Eu já vi esse pessoal no bar! Eles são estranhos, mas também bebem e fumam!

Nossa dúvida me atormenta desde então. Quem são? Onde vivem? Do que se alimentam? E a pergunta principal: essas pessoas já passaram pelo calor do Brasil com uma cerveja gelada para fechar o dia?

Sei que nossa geração se tornou viciada em corrida, beach tênis e academia. Mas até as pessoas mais atléticas que conheço se permitem fumar e beber drinks — cerveja incha demais.

Ninguém na minha casa fuma, mas fumavam na nossa idade. Eu cresci achando que era apenas o certo a se fazer. Apesar de não ser fumante, aceitar um gole de cerveja ou um cigarro é apenas boa educação — ou não?

É um hábito péssimo, que não desejo para ninguém, mas estamos na idade da experimentação e dos erros que só nos são permitidos porque somos jovens. Talvez eu só esteja fazendo esse discurso para não me sentir do grupo dos “degenerados” da sociedade, e esse grupo que não bebe e não fuma possa ser bem mais feliz. Uma pena. Seria legal descobrir. Porém, o exemplo que tenho em casa marcou um happy hour com os colegas. Meu irmão está no seu primeiro ano de faculdade, e eu só tenho 21 anos.

 

Acompanhe
nossas
redes sociais