Por: Cíntia Piegas
Há 90 anos
No final de abril de 1936, o Conselho Nacional de Educação reconheceu a Faculdade de Direito, após 24 anos de existência. A notícia foi publicada no jornal com destaque ao reconhecimento e merecimento da instituição. Com a foto do diretor da Faculdade à época, Bruno de Mendonça Lima e do prédio, foi descrito que a faculdade funcionava regularmente como um Escola Livre e que o mérito adquirido por seguir os regulamentos educacionais dos demais estabelecimentos do país, sendo digno de tal honraria.
“Ministrando o ensino jurídico na segunda cidade do Estado, a nossa culta Pelotas, centro de convergência de uma rica e importância zona do Rio Grande, tendo sempre a nortear-lhe os destinos vultos de remarcado destaque nas letras jurídicas, possuindo, em todas as suas fases, um corpo docente formado de profissionais competentes, a nossa Faculdade de Direito tem fornecido ao Rio Grande e ao país, não poucos valores que nos altos cargos da política, da magistratura e das letra têm elevado bem alto o nome de Pelotas e o conceito da Escola, honrando-as e dignificando-as”.
A Faculdade de Direito adquiriu a Inspeção Federal Permanente pelo decreto nº 792, de 4 de maio de 1936. Foi incorporada à Universidade do Rio Grande do Sul quando da criação desta, em caráter regional, no dia 4 de dezembro de 1948, pelo decreto nº. 414. Em 1950, aquela universidade foi federalizada, transformando-se em Universidade Federal do Rio Grande do Sul; a Faculdade de Direito também passou à União, o que lhe trouxe
maiores recursos.
Há 80 anos
Sindicato dos Contabilistas de Pelotas reivindica festa em função da crise

(Foto: Reprodução)
No dia 24 de abril de 1946, uma nota do Sindicato dos Contabilistas de Pelotas foi publicada no jornal da cidade informando que a entidade abriria mão da festa do Dia do Contabilista, celebrada dia 25, principalmente do banquete de confraternização que seria preparado em função das dificuldades econômicas enfrentadas pelas classes menos favorecidas.
Na publicação, o sindicato expressou da seguinte forma a situação: “Não poderíamos portanto sentir-nos perfeitamente felizes e alegres num banquete, quando o momento nos sussurra aos ouvidos que naquela mesma hora, incontáveis estômagos estão vazios de alimento”.
A diretora dirigiu-se aos colegas de profissão: “companheiros de luta e de ideais”, no sentido que todos entenderiam a atitude. “Entre as razões que nos consideram a renunciar ao banquete, devemos nomear esta: há uma crise generalizada no país; escasseiam os gêneros alimentícios e os que existem estão em preços absurdos; centenas de milhares de famílias veem suas rações de pão, como o leite quase suprimidos, drogas farmacêuticas caríssimas, como caríssimos andam vestuários e calçados, tremenda crise de habitação”.
O Sindicato ainda enviou ao jornal a quantia de Cr100,00 em benefício aos mais pobres, sugerindo que todos os colegas fizessem o mesmo. A nota finaliza com uma homenagem. “Aqui registramos nossa homenagem aos Contabilistas, como nosso imorredouro reconhecimento com fervorosos votos pela prosperidade dos caros colegas e amigos”.