Após 45 dias de idas e vindas políticas, o programa Vida Ativa, que oferece atividades físicas gratuitas em Pelotas, começa a dar sinais de uma retomada parcial, mas está longe do que era antes. A partir da próxima segunda-feira (27), as aulas serão retomadas no Ginásio Municipal do “Karosso”, com vagas restritas a alunos que já estavam matriculados no local.
O recomeço ocorre depois de uma sequência de decisões na Câmara de Vereadores que interromperam o funcionamento do programa e abriram uma disputa política sobre sua continuidade. Hoje, o cenário ainda é de incerteza. Não há previsão para a normalização completa das atividades, e um novo modelo para contratação de profissionais segue em discussão.
O que está acontecendo agora
Segundo o secretário de Esporte, Lazer e Juventude, Paulo Lobo, o retorno do Vida Ativa será gradual. As atividades reiniciam no Karosso com modalidades como ritmos, pilates, treinamento funcional, ginástica e câmbio. Neste primeiro momento, haverá apenas um professor da rede municipal atuando. Ainda não existe um novo projeto definido para garantir a contratação de instrutores e a ampliação das aulas para outros bairros.
O que está por trás do impasse
O conflito começou quando a Câmara barrou o projeto do Executivo que previa a contratação temporária de 30 profissionais para manter o programa. A justificativa formal foi a falta de detalhamento e possíveis problemas legais. Já o governo argumentou que o modelo seguia a legislação e era necessário para garantir continuidade imediata.
Na prática, a decisão interrompeu o programa e gerou um efeito dominó que levou à suspensão das atividades, pressão de usuários, disputa política entre base e oposição e apresentação de um novo projeto, com formato diferente.
Mesmo com a aprovação de uma nova proposta, o impasse não foi totalmente resolvido, já que o modelo depende de decisão do Executivo e pode ter questionamentos jurídicos.
“A gente está desorientada”, diz usuária
Para quem participava do Vida Ativa, a interrupção afetou a rotina e a saúde. A aposentada Eulália Gonçalves, que fazia pilates e ginástica funcional, conta que ainda tenta manter alguma atividade, mas sente a diferença. “Eu faço uma caminhada, meio aleatória, sozinha. É muito difícil. Lá a gente tinha horário, tinha grupo. O projeto é outra coisa”, diz.
Apesar do anúncio da volta, a percepção entre usuários é de que o programa ainda está longe do que era. Segundo Eulália, as explicações também não são claras para os participantes: “A gente está desorientada. E não sabe direito como vai ficar.”
