Sobrecarga nas prefeituras marca cenário com 27 mortes nas rodovias

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Sobrecarga nas prefeituras marca cenário com 27 mortes nas rodovias

Municípios assumiram socorro nas estradas há 50 dias; relatos envolvem aumento de custos e dificuldades na prestação do serviço

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Sobrecarga nas prefeituras marca cenário com 27 mortes nas rodovias
Em caso de emergências, o telefone é 191 (Foto: Jô Folha)

O número de mortes em rodovias da Zona Sul chegou a 27 em 2026, após três acidentes fatais registrados em sequência durante o feriado prolongado de Tiradentes. O cenário ocorre em meio a um período de 50 dias sem a atuação da concessionária nos trechos da BR-392 e BR-116, e amplia a pressão sobre os municípios, responsáveis pelo atendimento emergencial nas estradas.

Desde o fim da concessão da Ecovias Sul, o socorro a vítimas passou a ser realizado por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Corpo de Bombeiros e Polícia Rodoviária Federal (PRF), dentro de um plano de contingência coordenado pelo governo do Estado. Prefeitos da região, no entanto, relatam dificuldades para manter a estrutura e apontam impactos tanto no atendimento quanto nos custos operacionais.

Em Canguçu, o prefeito Arion Braga (PP) classifica a situação como “extremamente grave” e afirma que houve aumento de despesas e necessidade de reforço nas equipes. “Caiu no nosso colo essa responsabilidade. A gente está fazendo todo esforço, mas a situação é complexa, grave e preocupante”, disse.

Segundo ele, além da ampliação de equipes, os municípios precisam atender ocorrências em trechos extensos das rodovias, muitas vezes fora dos limites territoriais. “O problema não é só chegar rápido. É toda a logística, o socorro, e muitas vezes não se tem os equipamentos necessários”, afirmou.

Braga também destacou o impacto financeiro da nova realidade. “Tem custo de ambulância, de toda a equipe de profissionais. Tem que ter uma equipe com atuação 24 horas. Isso não é barato”, pontuou.

Apesar das críticas aos valores praticados anteriormente nos pedágios, o prefeito reconhece a diferença na estrutura de atendimento. “O problema era o valor, mas o atendimento era de excelência. E isso hoje não temos.”

Municípios se movimentam

A ausência de suporte nas rodovias também foi tema central na reunião da Azonasul, realizada no último sábado (18), em Arroio do Padre. Prefeitos relataram preocupação com a falta de ambulâncias e equipes de resgate, além do risco de desassistência em áreas urbanas devido ao deslocamento de equipes para atender ocorrências nas estradas.

Outro ponto é o modelo da futura concessão da chamada Rota Portuária Sul. Gestores não criticam exatamente o sistema de pedágio previsto – o chamado free flow –, mas alertam para a possibilidade de instalação de pórticos em áreas urbanas. A entidade também deve solicitar novas audiências públicas em quatro cidades da região (Rio Grande, Canguçu, Jaguarão e Camaquã) e não descarta medidas judiciais para buscar mudanças.

Marcha dos prefeitos

Diante do cenário, os prefeitos também farão uma mobilização na Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, de 18 a 21 de maio, onde lideranças pretendem levar as demandas da região ao governo federal.

Três mortes em três dias

Enquanto isso, os acidentes seguem se acumulando. Na última sexta-feira (17), um homem de 62 anos morreu após ser atropelado na BR-392, em Canguçu, enquanto sinalizava um caminhão parado no acostamento. O motorista do carro fugiu e deve se apresentar à polícia nesta semana.

No sábado (18), um jovem de 28 anos morreu em um acidente entre uma motocicleta e um caminhão na BR-116, em Pelotas, nas proximidades do pedágio desativado do Retiro. Já no domingo (19), um homem de 31 anos morreu após colisão frontal na BR-471, em Santa Vitória do Palmar.

Os três casos, em três dias consecutivos e em rodovias diferentes, elevaram o total de mortes na região para 27 no ano.

Atenção redobrada até o fim do feriado

A PRF segue até esta terça-feira (21) com a Operação Tiradentes 2026, que busca reforçar a fiscalização e as ações educativas nas rodovias federais do RS, com o objetivo de reduzir acidentes no período.

A operação terá foco em infrações como excesso de velocidade, embriaguez ao volante, ultrapassagens proibidas e falta do uso do cinto de segurança, com uso ampliado de radares e testes de alcoolemia. Também haverá reforço no combate ao crime, com fiscalização em pontos estratégicos.

Uma das orientações da PRF é para evitar horários de pico – entre eles, o retorno nesta terça-feira à tarde e à noite – e reforça cuidados como descansar antes de dirigir, revisar o veículo e não usar celular ao volante. Em caso de emergências, o telefone é 191.

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