O Grande Hotel vai virar hotel-escola. O prédio das Finanças vai virar escola e restaurante. O Theatro Avenida vai virar academia. O prédio de Bellas Artes será reformado em breve. A Bibliotheca passa por restauro, assim como a Baronesa. O Mercado Público passará por melhorias. Alguns dos casarões também. Prefeitura, Catedral, Conservatório e algumas das charqueadas estão de cara nova. Essas são algumas notícias que saíram nos últimos meses neste Jornal. Em todas, o mesmo sentimento: Pelotas é riquíssima em patrimônio e precisa garantir que ele esteja disponível. Em alguns casos, ressignificar o espaço e dar nova vida é muito melhor que deixá-lo se deteriorando, preso a um passado que não vai mais ser vivido.
O saudosismo é um sentimento natural, sobretudo quando se fala em patrimônio histórico, artístico e arquitetônico de uma cidade. É fundamental preservar ele e suas características, mas dar nova vida a estes espaços é garantir que eles sigam vivos, com energia, mesmo que para outro fim. É o caso que noticiamos ontem, do Theatro Avenida. Há quase duas décadas aquele gigante adormecido fica na avenida Bento Gonçalves a mercê do vandalismo e dos efeitos do tempo. O tempo anda, as coisas mudam e talvez realmente não faça mais sentido que ele volte a receber espetáculos ou filmes. Mas pode ser uma memória viva de outros tempos, enquanto escreve novas histórias.
Uma cidade inteligente precisa compreender que as coisas avançam e que é possível viver de turismo histórico sem amarrar-se ao passado. Sem querer parar no tempo. Entender a evolução das coisas e aliar elas à sua memória. É assim que tantas capitais mundiais fazem, por qual motivo Pelotas não pode também? A arquitetura tem o dom de transformar espaços existentes em ambientes modernos, funcionais e com nova identidade, sem perder sua essência. Quando isso acontece, o passado e o futuro são honrados e respeitados.
