O sinal dado pelas mais de 90 empresas que participaram do Abraça Laranjal dá a tônica de uma perceptível mudança no perfil dos negócios em Pelotas: o comércio de bairro está cada vez mais fortalecido. Em um momento em que a cidade quebra a cabeça para tentar compreender o motivo do esvaziamento do Centro e busca soluções para esse fenômeno, replicado em tantas cidades comerciais país afora, é fundamental ressaltar que há um outro lado dessa moeda, uma ação positiva de fortalecimento da economia criativa e do hiperlocalismo.
Isso reflete nos números: dos mais de 47 mil CNPJs vigentes ligados ao setor de comércio e serviços em vigor na cidade, mais de 80% são micro e pequenas empresas. Diante desse recorte, é fundamental pensar em estruturas que façam o que o evento do Laranjal e tantas outras feiras têm feito: aproximação e networking. Trazer para o holofote esses empreendedores é fortalecer um ecossistema que se retroalimenta também, afinal, é feita a conexão entre fornecedores e possíveis parceiros.
Se o cenário atual facilita a abertura de comércios, aparecer é o grande desafio. E o hiperlocalismo do fortalecimento dos pequenos negócios em bairros tem apostado justamente na receita mais antiga, mas essencial, que é a aproximação das pessoas. Vale-se da facilidade das distâncias curtas e da confiança na negociação olho no olho, algo ainda muito caro para uma comunidade como a nossa. Esses são segmentos que sustentam parte significativa da nossa economia e mudaram parte do perfil da cidade. Hoje o consumidor não precisa de um grande deslocamento para ir ao mercado, barbeiro, cabeleireira ou mesmo um restaurante. Tudo está mais perto.
Para o Centro, que vive o dilema do esvaziamento, é fundamental também olhar para o que está dando certo e beber dessa fonte. Afinal, é preciso romper padrões antigos e criar atrativos para a comunidade, sejam culturais, logísticos ou estruturais. E, para isso, é preciso que entidades, prefeitura e empresários sentem e façam esse diagnóstico e coloquem a mão na massa como, por exemplo, Rio Grande está fazendo.
