Quinta-feira (9), o prefeito Fernando Marroni (PT) elevou o tom na crítica ao parlamento pelotense após um desgaste entre os poderes que vem se acentuando com o tempo e, agora, chegou ao estopim de um conflito quase público. O estopim foi a reprovação de projetos no dia do aniversário da cidade. E, nesse conflito entre Câmara de Vereadores e prefeitura, já temos o grande derrotado: o povo pelotense. Porque quando quem toma decisão chega a esse nível de desgaste, a ponto de pautas não andarem por pura birra e do diálogo ser quase irrecuperável, o desenvolvimento da cidade vai para o lixo.
Qual investidor terá interesse em vir para uma cidade com tamanha instabilidade na relação entre os poderes? Se temas pertinentes, como estudo da gratuidade do transporte público e contratação de professores são vetados por um impasse político? Se um assunto como a Lei da Inovação fica anos engavetado e só sai depois de muita pressão, tendo inclusive parlamentares reclamado do papel “ativista” da imprensa na cobrança por uma norma que facilitasse a atração de negócios e o empreendedorismo local.
Em uma briga deste calibre, não tem lado certo. O governo tem sua razão em não querer ceder em alguns pontos, mas claramente peca na falta de diálogo e de jogo de cintura, em algo muito similar ao que o governo federal tem vivido junto ao Congresso. A Câmara, incapaz de fazer uma oposição sadia e propositiva, resolve prejudicar a própria cidade em uma gana por impor derrotas ao governo. Os parlamentares, aliás, cada vez mais parecem viver em uma bolha em que pouco ou nada percebem do que realmente importa para o cidadão. Chegamos ao ponto de, por exemplo, travarem o Vida Ativa só porque podiam.
Pelotas vive uma crise institucional fortíssima e o único remédio para isso é o diálogo. Só que, para que haja o debate sadio, é importante que os dois lados tenham a mínima maturidade de sentar, buscar o consenso ou pelo menos aparar arestas para que haja um entendimento do que é pauta política e do que é pauta de relevância social e econômica para a comunidade. Ao cidadão cabe cobrar o mínimo de maturidade para que os dois poderes façam o que foram eleitos para fazer.
