Prefeito eleva confronto com a Câmara

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

Prefeito eleva confronto com a Câmara

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Atualizado quinta-feira,
09 de Julho de 2026 às 17:44

O prefeito Fernando Marroni reagiu às derrotas na Comissão de Constituição e Justiça e prometeu recorrer para tentar levar os projetos ao plenário. Em entrevista à Rádio Pelotense, acusou partidos de utilizarem argumentos de inconstitucionalidade para bloquear políticas públicas e lançou a pergunta mais forte da conversa.

“Qual negociação o prefeito pode fazer com vereadores ou com partidos? O que esses partidos querem da Prefeitura? Qual é a demanda? Qual é a pedida?”, questionou.

Marroni não disse que recebeu uma exigência específica, nem acusou qualquer vereador de condicionar votos à entrega de cargos. Mas a expressão não foi usada por acaso. Ela toca no centro do conflito entre Executivo e Legislativo: a disputa pela participação dos grupos políticos na estrutura da Prefeitura.

Essa relação se deteriorou no final de 2025, quando Michel Promove, do PP, e César Brisolara, do PSB, foram afastados da base do governo. Michel havia indicado a Secretaria de Desenvolvimento Rural. Brisolara tinha influência nas áreas de Esporte e Desenvolvimento, Empreendedorismo e Inovação. Os dois perderam esses espaços, além de outras posições ocupadas por seus grupos na administração.

Hoje, Michel preside a Câmara e participa diretamente da definição da agenda política da Casa. Brisolara comanda a CCJ e é um dos principais articuladores de bastidores do Legislativo. Dois vereadores que perderam espaço no governo passaram a ocupar postos decisivos para definir quais projetos avançam e quais enfrentam dificuldades.

Isso não significa que as derrotas sejam resultado de uma cobrança direta por cargos. Não há prova de troca de votos por posições na Prefeitura. O que existe é uma disputa de poder conhecida: vereadores possuem grupos, apoiadores e compromissos políticos, enquanto o governo precisa decidir quanto espaço está disposto a dividir para construir sustentação parlamentar.

Ao perguntar qual é a “pedida”, Marroni sugere que as justificativas jurídicas apresentadas na CCJ não explicam sozinhas a sucessão de derrotas. A Câmara poderá cobrar que ele diga se houve alguma demanda concreta. O prefeito, por sua vez, tenta obrigar os adversários a explicar por que projetos de áreas tão diferentes estão sendo interrompidos pelo mesmo núcleo político.

Educação no centro do impasse

Na entrevista, Marroni concentrou a reação na contratação temporária de profissionais para a Educação. Segundo ele, o déficit de 90 auxiliares de educação infantil já provoca interrupções no atendimento e no envio de crianças para casa. Também destacou a sobrecarga das merendeiras.

“Qual é a inconstitucionalidade de contratar profissionais para a área da Educação?”, perguntou. O prefeito ainda citou a reorganização de 63 cargos no Samu e a contratação de 12 cadastradores sociais, pagos com recursos federais, para localizar famílias que ainda não estão no Cadastro Único.

“Eu não estou pedindo contrato para ter mais CC na Prefeitura. Não estou pedindo para extrapolar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Estou pedindo coisas que são absolutamente necessárias para a vida do povo”, afirmou.

A referência aos CCs reforça a mensagem política. Marroni tenta separar as contratações destinadas aos serviços públicos da disputa por cargos e espaços entre governo e vereadores. Na leitura do prefeito, o conflito político está contaminando propostas que atingem diretamente Educação, Saúde e Assistência Social. Os recursos anunciados fazem parte dessa estratégia. O governo quer retirar as decisões da CCJ e levar a votação para o plenário, onde cada vereador terá de se posicionar diante das categorias afetadas. Marroni pretende trocar a discussão jurídica pelo custo político de rejeitar merendeiras, auxiliares de educação infantil e outros profissionais.

Nas contratações, o governo considera que os argumentos de inconstitucionalidade são frágeis e que eventuais problemas poderiam ser corrigidos. A repetição das derrotas, no entanto, mostra que a CCJ passou a ser o principal campo de disputa entre Marroni e a Câmara.

A fala sobre a “pedida” foi mais um capítulo do conflito. De um lado, o prefeito não quer ampliar a participação de grupos que deixou de considerar aliados. Do outro, Michel e Brisolara comandam estruturas capazes de dificultar a agenda do Executivo.

Reação imediata

As declarações de Marroni provocaram reação imediata na Câmara. Cerca de uma hora depois da entrevista à Rádio Pelotense, o vereador Daniel Fonseca, da ala de oposição do PSD, rebateu o prefeito durante a sessão. Fonseca acusou Marroni de transferir para o Legislativo a responsabilidade pelos problemas da administração. “Dizem que tudo é culpa da Câmara. É um teatro”, afirmou. Segundo ele, ao perguntar o que poderia oferecer aos vereadores, o prefeito deveria responder com saúde, educação e infraestrutura para a população. O vereador também citou os buracos nas ruas e as filas na saúde. “Fica jogando a responsabilidade do governo para a Câmara. Isso é baixo”, disse.

A fala do prefeito também abriu um flanco factual para a oposição. Ao listar os projetos que teriam sido barrados pela CCJ, o prefeito incluiu a contratação de cadastradores sociais para o Cadastro Único. A informação está incorreta, pois o projeto não foi rejeitado. A proposta foi retirada de pauta na última reunião da CCJ e ainda não teve o mérito analisado pela comissão.

Noite de homenagens

A Câmara de Pelotas realizou, na noite desta quinta-feira (9), no Engenho Eventos, a sessão solene em homenagem aos 214 anos do município. A cerimônia contou com a entrega de títulos de Cidadão Pelotense e Cidadão Emérito, do Brasão de Pelotas e da distinção de Instituição Emérita. Abaixo, a lista de homenageados:

  • Gustavo Gularte, de Bagé — título de Cidadão Pelotense, por indicação de Arthur Halal;
  • Ciro Ricardo Vives — título de Cidadão Pelotense, por indicação de Antônio Peixoto;
  • Danrlei de Deus Hilterholz — título de Cidadão Pelotense, por indicação de Carlos Junior, entregue pelo suplente Fagner Feijó;
  • Jornal Tradição Regional — Brasão de Pelotas, por indicação de Cauê Fuhro Souto;
  • Luiz Roberto de Albuquerque — título de Cidadão Pelotense, por indicação de César Brisolara;
  • Luís Eduardo Corrêa Antunes — título de Cidadão Pelotense, por indicação de Cristiano Silva;
  • Paulo César Acosta Dias — título de Cidadão Pelotense, por indicação de Daniel Fonseca;
  • Casa Grupelli — Brasão de Pelotas, por indicação de Éder Blank;
  • Frente Feminista 8M Pelotas — título de Instituição Emérita, por indicação de Fernanda Miranda;
  • Marciano Perondi — título de Cidadão Pelotense, por indicação de Júnior Fox;
  • Manuela d’Ávila — título de Cidadã Pelotense, por indicação de Jurandir Silva;
  • Marcelo Pires Moraes — título de Cidadão Pelotense, por indicação de Marcelo Bagé;
  • Krolow & Cia Ltda. — Brasão de Pelotas, por indicação de Marcos Ferreira;
  • Casarão Imóveis — título de Instituição Emérita, por indicação de Marisa Schwarzer;
  • Augusto da Matta Rassier — título de Cidadão Emérito, por indicação de Michel Promove;
  • Alexandre Lemos Vieira — título de Cidadão Pelotense, por indicação de Miriam Marroni;
  • Else Elizabeth Knapp Madruga — título de Cidadã Pelotense, por indicação de Paulo Coitinho;
  • Vinícius Ataídes Alano — título de Cidadão Pelotense, por indicação de Rafael Amaral;
  • Antônia Dieguez Rodrigues — título de Cidadã Emérita, por indicação de Rafael Dutra;
  • Tiago Nunes — título de Cidadão Emérito, por indicação de Tauã Ney.

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