Eletrificar integralmente a frota do transporte coletivo de Pelotas custaria cerca de R$ 580 milhões. A estimativa foi apresentada pelo diretor do Consórcio do Transporte Coletivo de Pelotas (CTCP), Enoc Guimarães, ao analisar o impacto da substituição dos atuais 145 ônibus urbanos por veículos elétricos.
O debate ocorre enquanto a prefeitura prepara um projeto para adquirir os primeiros 15 ônibus movidos a energia elétrica. O início da transição energética do sistema com a aquisição dos veículos ainda aguarda aprovação de financiamento junto ao BNDES. Além disso, o projeto prevê a construção de uma usina solar para abastecê-los.
Segundo o diretor do consórcio, Enoc Guimarães, cada ônibus elétrico custa atualmente cerca de R$ 4 milhões. Considerando os 145 veículos que operam hoje em Pelotas, a substituição completa da frota exigiria um investimento próximo de R$ 580 milhões apenas na compra, sem contar os gastos com infraestrutura de carregamento ou adaptações da rede elétrica.
“O ônibus elétrico tem uma operação muito mais barata, cerca de 70% menor do que a de um ônibus a diesel”, admite Guimarães, “mas o problema ainda é o custo de aquisição”.
O prefeito Fernando Marroni (PT) confirmou que a intenção do governo é começar de forma gradual. A prefeitura pretende adquirir os veículos e disponibilizá-los para operação pelo consórcio. Segundo Guimarães, a estratégia permite reduzir os custos das empresas operadoras, já que o investimento inicial fica a cargo do poder público.
Linhas expressas estão em estudo
Além da substituição gradual da frota, o município avalia utilizar os novos veículos em linhas expressas ligando bairros mais distantes ao Centro, sem as paradas intermediárias tradicionais. Entre as regiões citadas como potenciais beneficiárias estão a Colônia de Pescadores Z-3, Barro Duro, Laranjal, Vila Princesa e Sítio Floresta.
Infraestrutura é obstáculo
Além do custo dos veículos, a infraestrutura urbana também é um desafio importante. O diretor do CTCP alerta que os veículos elétricos exigem vias em boas condições e uma rede elétrica preparada para suportar o carregamento simultâneo dos veículos.
O tema da mobilidade é um obstáculo apontado por Marroni. Ele estima que Pelotas possua cerca de 400 quilômetros de ruas sem pavimentação e calcula que seriam necessários aproximadamente R$ 400 milhões para pavimentar toda a rede urbana ainda sem asfalto. “O maior desafio que a cidade tem hoje é pavimento”, afirma o prefeito.