Cerca de 300 pessoas participam da 2ª Jornada Hospitalar da Beneficência Portuguesa de Pelotas. O evento é realizado no Auditório do Sicredi, com ampla programação voltada a profissionais, gestores, estudantes e especialistas da área da saúde. A proposta busca soluções inovadoras para qualificar a assistência à saúde, tornar os hospitais mais eficientes e aproximar a medicina das novas tecnologias.
Uma das principais iniciativas de atualização profissional da região Sul do Estado, a jornada reúne simultaneamente o 6º Simpósio de Tecnologia Hospitalar (Simtehosp), o 4º Simpósio Multidisciplinar de Cardiologia e o 2º Simpósio Multidisciplinar Hospitalar. De acordo com a gerente administrativa do hospital, Diovana Matos, o objetivo é fomentar a troca de conhecimentos, incentivar a inovação e contribuir para a qualificação dos serviços prestados à população.
A programação do primeiro dia é dedicada aos desafios da gestão hospitalar e às transformações que impactam o setor. Entre os temas debatidos estão liderança, eficiência operacional, sustentabilidade das instituições de saúde e a implantação de linhas de cuidado para pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC).
A abertura contou com a palestra do médico Marcius Prestes sobre os desafios da gestão hospitalar. Na sequência, Vanderli Barros abordou o tema liderança transformadora, enquanto Clayton Moraes apresentou estratégias para transformar eficiência operacional em resultados concretos para as instituições de saúde.
Também participaram da programação o cardiologista André Wajner, que falou sobre eficiência assistencial e sustentabilidade hospitalar, e o neurologista Diógenes Zãn, que destacou a importância da implantação de linhas de cuidado para pacientes com AVC.
Um dos destaques da tarde é a apresentação do professor e pesquisador Vinicius Campos sobre a implantação da avaliação genética e genômica clínica em Pelotas. Durante a palestra, ele destacou o potencial da medicina genômica para ampliar a precisão diagnóstica e personalizar tratamentos, especialmente em casos de câncer e doenças complexas.
Segundo Campos, a cidade poderá se tornar a primeira do Rio Grande do Sul a disponibilizar esse tipo de análise de forma estruturada, por meio de um laboratório que está sendo desenvolvido em parceria entre instituições de pesquisa e empresas da área da saúde. “A expectativa é oferecer exames genéticos e genômicos com maior agilidade tanto para pacientes da rede privada quanto do sistema público”, conta.
À noite, a programação é voltada exclusivamente para a cardiologia. Entre os palestrantes estiveram Carlos Kalil, que discutiu os avanços no tratamento da fibrilação atrial; Alexis Vasiluk Knebel, abordando angioplastias complexas com uso de dispositivos de assistência ventricular; Eduardo Saadi, falando sobre troca valvar aórtica em pacientes assintomáticos; e José Gutierrez, que debateu os riscos de morte súbita em atletas amadores e as possibilidades de prevenção.
Tecnologia e IA
A programação desta sexta-feira (26) será dedicada à inovação tecnológica aplicada à saúde. A abertura ocorre às 14h com a palestra do epidemiologista e ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Hallal, sobre a chamada “pandemia silenciosa da inatividade física”.
Na sequência, Lucas Araújo e Ruani Allan Araújo apresentarão como a inteligência artificial pode aproximar médicos e pacientes, seguida pela palestra de Charles Almeida Ataide sobre automação hospitalar e o uso de IA na gestão dos serviços de saúde. O público também poderá acompanhar a apresentação de Renata Gelain sobre a integração entre setores hospitalares como ferramenta para qualificar a assistência.
O encerramento da jornada contará com duas palestras voltadas à cirurgia robótica, ministradas pelos médicos Filipe Kwiatkowski e Lucas Feijó Pereira, que abordarão indicações, benefícios da tecnologia e apresentação de casos clínicos. Segundo Kwiatkowski, a cirurgia robótica é uma evolução da cirurgia laparoscópica, considerada dentre os procedimentos, como minimamente invasiva. “Ela traz para nós uma visão tridimensional, maior precisão nos movimentos, melhor entrega de energia para segurança na cirurgia, uma recuperação mais rápida do paciente, e conseguimos entregar o paciente para as suas atividades o mais rápido possível”, destaca.
O especialista ressalta que a cirurgia robótica representa uma evolução definitiva na medicina, por oferecer mais segurança ao paciente, maior precisão nos movimentos e melhor visualização de estruturas anatômicas. Segundo ele, a tecnologia vem se consolidando desde os anos 2000 e já está presente em diversas cidades brasileiras. “Em Pelotas, a existência de duas plataformas coloca o município entre os pioneiros do interior do país”, destaca. Segundo o médico, há avanços de robôs utilizados em áreas como ortopedia e cirurgia de coluna, capazes de auxiliar no planejamento cirúrgico com inteligência artificial e sobreposição de imagens, além da possibilidade futura de ampliação das telecirurgias.
