São R$ 80 milhões por ano para garantir a tarifa gratuita no transporte público de Pelotas no momento atual. Ou, se o município for optar por trocar os veículos para frota elétrica, 70% mais em conta, R$ 580 milhões por 145 novos ônibus, além de infraestrutura para carregamento, incluindo uma usina de energia solar e pavimentação de vias, já que eles não podem circular em ruas muito esburacadas, sob pena de pane. Sejamos realistas: os números são desencorajadores para uma cidade que vive em aperto financeiro. Mas o debate não pode esmorecer. Pelo contrário. Tais impeditivos devem estar na pauta para que decisões sejam tomadas com base nos aspectos técnico, financeiro e social, jamais no político.
Que bom que o tema do transporte público voltou à pauta da comunidade pelotense. É fundamental que ele seja discutido. Afinal, na última década, o uso de ônibus foi reduzido por diversos motivos: pandemia, home office, transporte por aplicativo, compras pela internet, custos elevados, entre outros. A ponto de empresas do consórcio que administra o setor na cidade estarem operando no vermelho, segundo o Diretor Executivo Enoc Guimarães. Por outro lado, são mais carros na rua, mais acidentes, mais engarrafamento e maior poluição. É consenso na ciência: o transporte público fortalecido é positivo em variados ângulos.
Pelotas tem mais cinco anos de contrato com o Consórcio, modelo aderido em 2016 e que foi extremamente positivo naquele momento. Hoje, indicativos tanto por parte da prefeitura, quanto das empresas, apontam que o modelo ficou desatualizado ou que precisa, pelo menos, ser repensado. Se o objetivo for a gratuidade, a única solução é encontrar um modelo de financiamento externo, provavelmente via governo federal. Mas certamente não seremos a única cidade a demandar isso.
É fundamental que o tema siga em debate e não perca aderência. Talvez demore os cinco anos do atual contrato para que tenhamos uma solução, mas é fundamental que ela seja pensada. Para o bem da sociedade e do meio ambiente.
