É preciso aprender mais

editorial

É preciso aprender mais

É preciso aprender mais
(Foto: Divulgação)

O aprendizado das disciplinas essenciais é o que norteia a formação intelectual dos jovens. Mas há hoje um buraco no sistema educacional do Brasil que impacta diretamente no próprio funcionamento do país: pouco abordamos temas como política, cidadania, direitos e deveres na escola. A inclusão de conteúdos sobre educação política e direitos no currículo escolar avançou no Senado, em meio a dúvidas e reclamações sobre o tema ser potencialmente ideológico. Mas, afinal, que bem faz formarmos cidadãos que sequer sabem o básico sobre, por exemplo, o que faz um vereador, ou quais temas permeiam a constituição?

Uma pesquisa com base na última eleição presidencial, por exemplo, feita pelo TSE em parceria com universidades do Paraná e São Paulo, indica que 41% dos brasileiros estão desiludidos com a política. Até aí tudo bem, a decepção é natural. Outro dado importante é que 73% não simpatizam com partido algum. Fator curioso, já que diante da dita polarização do Brasil, esse é um número que indica que, talvez, o cidadão esteja sendo guiado pela percepção da falta de opções e as narrativas de extremos tomam conta. Mas o que assusta é: 22% dos cidadãos preferem se abster de votar. Diante do cansativo bate-boca e da falta de representatividade, optam por abrir mão do seu direito. E é isso que precisa ser combatido.

A Quest traçou, no ano passado, um paralelo entre classe social e interesse por política: quanto mais baixa a renda, menor o interesse. Justamente parcelas que deveriam ter mais esperança e cobrar mais dos políticos por ações que mudassem suas vidas. Diante deste cenário, não estaria a própria falta de conhecimento também guiando parte das decisões? Afinal, quando o cidadão não conhece o papel de um vereador ou do presidente da República, decepciona-se ao natural mesmo. Assim, não vai votar e a situação realmente jamais muda.

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