O Brasil chega à semifinal da Copa da Federação Gaúcha de Futebol como favorito. Mas o rótulo convive com dúvidas que seguem sem resposta.
Pela frente estará o tradicional Santa Cruz, adversário de grandes duelos contra o Xavante ao longo da história. Um clube de tradição no futebol gaúcho que, nos últimos anos, conquistou competição estadual, subiu para a elite e depois retornou à Série A2, o mesmo cenário vivido hoje pelo Brasil.
Mais do que a classificação, a semifinal será um teste para o trabalho de Laécio Aquino. O duelo diante do Guarany, na última rodada da fase classificatória, deixou mais pontos de interrogação para a torcida, para a imprensa e até para o próprio treinador.
A reta final da Copinha acaba sendo uma extensão da Série D. O peso da eliminação precoce ainda está presente no Bento Freitas e influencia a forma como cada atuação é analisada.
Estou entre aqueles que não condenam o trabalho de Laécio. O treinador chegou há pouco tempo, foi contratado para implementar seu modelo de jogo e os gestores sabiam que esse processo exigiria adaptação. Agora é momento de dar respaldo para que ele desenvolva o trabalho.
Na última sexta-feira, durante o Resenha Esportiva, o coordenador técnico Hélio Vieira reforçou justamente essa ideia. Segundo ele, todo o suporte será dado ao treinador. E faz sentido. Uma das críticas mais frequentes a Aquino é o pouco conhecimento do futebol gaúcho. Nesse aspecto, poucos podem contribuir tanto quanto Hélio, profundo conhecedor da Divisão de Acesso, do Brasil e também do Santa Cruz, adversário do próximo sábado.
Não sei se ainda para esta Copinha, mas o Brasil deve buscar cerca de cinco reforços com características pedidas pelo treinador. Na última entrevista, Aquino citou a necessidade de jogadores para o setor ofensivo, especialmente extremas e um meia. Ainda assim, para sua ideia de jogo funcionar plenamente, acredito que o sistema defensivo também precisa de ajustes. O Brasil vem falhando de forma recorrente nesse setor.
Os reforços também podem surgir dentro do próprio departamento médico. Tony Lucas é aguardado com expectativa pela comissão técnica, enquanto Andrei representa um sopro de esperança para a reta decisiva da competição, que vale uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro de 2027.
O futuro em campo
Enquanto o profissional busca respostas para o presente, o clássico Bra-Pel Sub-20 ofereceu uma visão do que pode ser o futuro de Brasil e Pelotas.
Acompanhei atentamente o clássico e a impressão foi de duas equipes com características bem definidas. O Pelotas me pareceu mais técnico, com jogadores de maior habilidade individual. O Brasil apresentou uma equipe mais física e competitiva. Embora alguns atletas já estejam próximos do elenco profissional, muitos ainda passam por um processo natural de formação.
Mas o clássico deixou sinais positivos para os dois lados. Alguns jogadores mostraram potencial para integrar os elencos da Divisão de Acesso. Ainda precisam ser lapidados, algo natural para a idade, mas o caminho começa a ser construído.
No Brasil, Laécio Aquino já observa esse processo mais de perto. Adriano Ferraz e Matheus Lemons, por exemplo, já estão inseridos nesse contexto. No Pelotas, Paulo Henrique Marques, que deve assumir a equipe profissional, certamente receberá avaliações da comissão técnica da base e da diretoria sobre os destaques desta geração.
Jogadores como Gugu Mendes e Bruno Inácio demonstraram qualidades que justificam uma oportunidade na pré-temporada. Nem todos estarão prontos para assumir protagonismo imediatamente, mas a observação precisa começar agora.
A base não resolve todos os problemas de um clube. Mas quando é bem utilizada, reduz erros, diminui a necessidade de apostas caras e ajuda a construir equipes mais identificadas com a realidade e a identidade de cada instituição.