O Hospital Santa Casa do Rio Grande está operando com a taxa de ocupação acima de 100%. A pressão sobre o sistema hospitalar preocupa principalmente pela chegada do inverno e pelo aumento nos casos de doenças respiratórias. Em entrevista à Rádio Pelotense, a superintendente de Atenção Especializada do município, Débora Rodrigues, afirma que o município aguarda a liberação de 10 novos leitos de UTI a partir de 1º de julho para desafogar os atendimentos.
O cenário já preocupa desde maio, quando houve avanço expressivo nos casos de síndrome gripal. Somente naquele mês, foram registrados 545 casos notificados de síndrome gripal, o que colocou a prefeitura em alerta. “A gente já foi adotando algumas medidas de prevenção e de orientação para a população, ampliamos os nossos horários de vacinação no município e, claro, a gente sempre fica em alerta”, afirma.
Vacinação é a chave
Os casos de internação predominantes são de idosos que ainda não se vacinaram. Uma das medidas do município foi ampliar os horários de vacinação para melhorar a cobertura vacinal. “O perfil é de pacientes mais idosos que ainda não se vacinaram. Então, por isso a gente vem reforçando muito a necessidade de vacinação pela população.”
Diante da baixa adesão vacinal, a prefeitura ampliou estratégias para levar a imunização a diferentes locais da cidade. “Além das unidades de saúde, a gente está com vacinação extramuros. Todo final de semana a gente tem vacinação nos shoppings, em mercados, a gente está levando unidades móveis descentralizadas para vacinação”.
Público infantil
Segundo Débora, foi registrada uma redução nos atendimentos infantis relacionados à bronquiolite, resultado direto da vacinação aplicada em gestantes contra o vírus sincicial respiratório. “A gente teve uma situação bem positiva, que é um pouco da diminuição de atendimento por problemas respiratórios em crianças, e isso se deu através da vacinação do vírus sincicial em gestantes, que as crianças já nascem com imunizante para as bronquiolites”.
Outra recomendação da secretaria é retomar medidas de prevenção já conhecidas da população desde a pandemia de Covid-19, como o uso de máscara. “Se estiver resfriado, apresentou algum sintoma de gripe, então usa máscara. No período do Covid, o uso da máscara era fundamental para evitar a proliferação da doença”.
Duas novas unidades
No horizonte está o investimento de R$ 7,2 milhões, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Rio Grande foi contemplado nesta semana com recursos federais para duas novas estruturas de saúde: uma Unidade Básica de Saúde no bairro Vila Junção e um novo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (CAPS AD III). “Isso impacta muito positivamente, porque a gente acaba sempre vivendo tantos problemas dentro da saúde, que estamos sempre buscando melhores condições”.
Sobre a UBS da Vila Junção, Débora destaca o fortalecimento da atenção primária. “Todo aumento de atendimento e ampliação de cobertura da atenção primária impacta positivamente dentro da atenção especializada, porque quanto mais as pessoas procuram a atenção primária, menos impacto temos na rede hospitalar”.
Já o novo CAPS AD III funcionará 24 horas. “Hoje a gente tem o CAPS AD apenas, e o CAPS AD III traz atendimento integral 24 horas por dia. É uma nova modalidade e vem para fortalecer esses serviços ofertados para a população”.
