Há 100 anos
Apesar do nome de prestígio, em 1926, a pequena rua Silveira Calheca, que tem como patrono José Gonçalves da Silveira Calheca – um dos grandes charqueadores e importantes latifundiários de Pelotas – não tinha nenhuma edificação. De acordo com o historiador Mario Osorio Magalhães, a comunidade viu surgir uma primeira edificação nesta via, apenas em 1927. Ao menos por quatro anos o imóvel permaneceu solitário.
Apesar da urbanização tardia, a Silveira Calheca, na região portuária, foi projetada por volta de 1910 nos terrenos da antiga charqueada Heliodoro, numa iniciativa do Sindicato Moreira & Cia. No passado tinha mais quadras; posteriormente foi reduzida, com o aterramento do arroio Pepino e a construção da avenida Juscelino Kubitschek.
A rua surge como sequência da Almirante Tamandaré, entre a Vereador Boaventura Barcellos e a Três de Maio. José Gonçalves da Silveira Calheca era proprietário da Charqueada da Figueira, às margens do São Gonçalo, próxima aos terrenos em que a via foi projetada.
Calheca foi um dos primeiros moradores deste primitivo distrito da Vila do Rio Grande, antes mesmo da criação da freguesia e vila de São Francisco de Paula, origens da cidade de Pelotas. Magalhães destaca, no livro Os passeios da cidade antiga, que o charqueador teve um papel importante na fundação da cidade ao disponibilizar seu iate, o Argelino, para buscar em Mostardas a imagem de São Francisco de Paula (o padroeiro de Pelotas).
Descendência na corte
De acordo com Magalhães: “Não teve filho varão. Uma de suas filhas era casada com Manuel José Valadares. A outra casou-se com João Antônio Ferreira Viana, que foi vereador em Pelotas e emigrou para o Rio de Janeiro em consequência da Revolução Farroupilha, permanecendo na corte pelo resto da vida. João Antônio teve o privilégio de dar a Calheca um ilustríssimo neto: nascido na charqueada Valadares, o conselheiro do Império José Antônio Ferreira Viana, membro do Partido Conservador, foi o redator da Lei Áurea…”.
Curiosidade histórica
O prédio sede da charqueada de Calheca era situado onde atualmente está o edifício principal da EMEF Ferreira Vianna. A informação é do arquiteto Guilherme Pinto de Almeida e está publicada em artigo do projeto Porto Memória Pelotas, da associação Otroporto.
Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; Os passeios da cidade antiga – Guia histórico das ruas de Pelotas (2000), Mario Osorio Magalhães; Porto Memória Pelotas/Otroporto (@otroporto), com pesquisa de Guilherme Pinto de Almeida.
Há 50 anos
Conselho Universitário da UFPel cria a Faculdade de Educação
Em sessão realizada no dia 21 de junho de 1975, o Conselho Universitário da Universidade Federal de Pelotas deliberou criar uma Faculdade de Educação, tendo como núcleo o já existente Departamento de Educação, integrante da Faculdade de Ciências Domésticas.
A decisão foi tomada depois de estudos que fundamentaram a necessidade da Universidade de uma participação cada vez maior no processo de formação e aperfeiçoamento dos professores dos chamados, na época, ensino de primeiro e segundo graus, indo ao encontro dos objetivos prioritários do Plano Setorial de Educação e Cultura do Ministério da Educação e Cultura, no período de 1975/1979, durante o governo militar.
Nos primeiros anos da década de 1970, sob a administração do reitor Delfin Silveira, segundo a imprensa local, intensificou sua atuação na área de formação pedagógica, não só por meio de cursos regulares de Licenciatura – Estudos Sociais (Moral e Cívica), Educação Física, Educação Artística – como também cursos extra-curriculares, em convênio com a Secretaria de Educação e Cultura, Premen, Cenafor, como os cursos de Esquema I e II, Licenciatura em Ciências e em Educação Artística, consequentemente aumentando a área de ação do Departamento de Educação.
15 Unidades
De acordo com o Conselho Universitário, a criação da Faculdade de Educação daria mais condições de estrutura, funcionamento e autonomia mais compatível, especialmente, para a extensão e para as ações existentes. Com a novidade, a UFPel passou a ter 15 unidades universitárias, incluindo as “agregadas”: Agronomia, Direito, Odontologia, Medicina Veterinária, Ciências Domésticas, Educação Física, Conservatório de Música, Instituto de Física e Matemática, de Ciências Humanas, de Biologia, Química e Geociências; Letras e Artes e Sociologia e Política.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense