Os ministérios da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e da Fazenda firmaram uma parceria para combater violações de casas de apostas e apertar o cerco na regulamentação do mercado, com foco no combate à gamificação das plataformas – o design que estimula o usuário a tomar decisões que aprofundam a fissura do vício nas apostas. É mais uma ação para tentar frear esse que é um dos maiores cânceres da nossa economia, mas, ainda assim, o governo federal titubeia na hora de acertar no cerne da questão. É preciso vetar a publicidade de apostas e o estímulo a partir de influenciadores e pessoas públicas que transmitem a ideia de que a jogatina é uma diversão.
O cenário é estarrecedor e caótico: segundo estudo publicado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em abril deste ano, cerca de 28 milhões de brasileiros de 14 anos ou mais (ou 17,6% da população nesta faixa de idade) diziam ter apostado no anterior. Calcula-se que quase 11 milhões de pessoas são viciadas. E isso impacta diretamente na sua saúde física, mental, familiar e financeira. O poder de compra do brasileiro já está estrangulado, e há ainda quem torre tudo na jogatina.
A conta não fecha e afeta absolutamente tudo. Famílias consomem menos. Empresas vendem menos. E ainda perdem alguns bons funcionários para uma doença. As bets funcionam como drogas na cabeça dessas pessoas, e, em tempos de Copa do Mundo, há ainda uma hiperestimulação para que se jogue, com um pseudoentorpecente sendo embalado como entretenimento. Não é diversão, é aposta. Aposta vicia. Isso precisa estar claro.
Enquanto autoridades e o governo não tiverem coragem de atacar o estímulo profundo para que a população jogue, nada vai mudar. Muitas empresas, equipes esportivas e tudo mais vão berrar, afinal beneficiam-se da cota de publicidade polpuda que essas casas pagam. O Grupo A Hora não aceita isso e nem faz propaganda a favor, pelo contrário. É preciso ter coragem para posicionar-se contra, ou os resultados a curto prazo já serão mortais para a economia brasileira.
