Pelotas é uma cidade que foi por muitas décadas pensada para os carros. Não é algo especial do município, afinal, o Brasil inteiro sempre foi voltado ao uso de veículos em detrimento de outros meios de transporte. Só olhar para a quantidade de estradas em relação aos trilhos de trem, por exemplo. Mas erros históricos não podem ser pétreos, e é fundamental que se avance na busca por equilíbrio no uso de espaços públicos.
Na edição de quarta-feira (17) do A Hora do Sul, por exemplo, trouxemos na sessão Imagem do Dia uma foto de um ciclista circulando entre os carros na rua General Neto. Um problema histórico ligado à falta de conexão entre algumas das ciclovias e ciclofaixas do município. Elas até são interligadas, mas por caminhos pouco lógicos ou intuitivos. Quem pedala pela Juscelino Kubitschek, perto do Bento Freitas, e quer ir até o Calçadão, por exemplo, precisa ir até a Gomes Carneiro e retornar pela Félix da Cunha. Ou voltar até a Dom Joaquim para subir pela Andrade Neves. São quilômetros a mais. Na prática, a aposta no risco prevalece e o cidadão prefere esquivar-se em ruas estreitas para chegar mais rápido. A pergunta que fica é: o quão difícil seria retirar uma das pistas de estacionamento da Neto ou da Barão de Butuí, por exemplo, para agregar uma ciclofaixa?
Na edição impressa desta quinta-feira (18), uma matéria traz um pouco de otimismo em relação a isso: a prefeitura pretende, aos domingos, isolar uma pista de algumas avenidas para entregar ao lazer e aos esportes. Somos uma cidade em que a pedalada e a corrida de rua crescem, muito pela nossa geografia, e, em dias com pouco trânsito, faz total sentido destinar espaços para a comunidade. É o que fazem grandes capitais ao natural. É só olharmos para Porto Alegre e o uso da Orla do Guaíba, por exemplo. O quão complexo seria colocar alguns cavaletes em uma das pistas da avenida Antônio Augusto Assumpção?
Mais espaço para as pessoas, menos para os carros. Pode ser minimamente impopular no início, afinal nos acostumamos com a comodidade de dirigir por tudo. Mas é fundamental que a cidade seja mais acolhedora para atividades ao ar livre e aprenda a equilibrar a convivência. O resultado é imediato e é positivo.
