A abnegação impossível

Editorial

A abnegação impossível

Instituição obteve conceito 4 na escala de 1 a 5

A abnegação impossível
(Foto: Divulgação)

“Abnegado é um adjetivo ou substantivo que descreve uma pessoa que renuncia às próprias vontades, interesses ou desejos em prol do bem-estar dos outros ou de uma causa. É o exato oposto de egoísmo: um indivíduo dedicado, altruísta e desinteressado, disposto a fazer sacrifícios pessoais”, diz a primeira definição da palavra quando jogada no Google. A pouco mais de três meses das eleições, é consenso na Zona Sul: é preciso potencializar candidaturas locais para aumentar a representatividade, mas há excesso de candidaturas. Quem irá ser o altruísta que desistirá para fortalecer outro postulante? Ninguém, por óbvio.

Todos sabem que poderíamos ter muitos eleitos a mais no Congresso e na Assembleia Legislativa. Também é consenso que o elevado número de candidaturas pulveriza a ideia, já que dividem-se os votos. Mas ninguém arreda na hora de abrir mão do nome ou do partido na urna. “Eu sou o melhor candidato”. “O meu partido é o com mais chances.” É justo e é legítimo esse pensamento diante do cenário democrático, mas a lógica indica que ele é suicida do ponto de vista dos votos regionais.

Fato é que os partidos e os candidatos acham mais relevante servirem de candidatura de apoio para a sigla garantir alguns votos para tentar emplacar mais cadeiras do que apoiar um nome regional em nome do bem coletivo. Até porque é ainda mais improvável ver alguém municiando um adversário que, nas próximas eleições, seja para o que for, pode se tornar pedra no seu sapato. Diante disso, há até candidaturas com o único objetivo de sufocar outras.

São quase uma dezena de candidatos a deputado federal só entre Pelotas e Rio Grande. Mais de duas dezenas de candidaturas da Zona Sul para deputado estadual. A conta não fecha, nem vai fechar, por pura falta de estratégia e alinhamento dos próprios partidos. A abnegação de abrir mão da própria candidatura em prol de um nome de consenso, seja à direita, ao centro ou à esquerda, é uma ilusão pura, quase infantil. Não existirá, de maneira alguma. E, assim, a chance de seguirmos com pouca ou nenhuma representatividade nos parlamentos só cresce.

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