Republicanos criticam postura dos Libertadores durante visita do presidente

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Republicanos criticam postura dos Libertadores durante visita do presidente

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Há 100 anos

A postura dos integrantes do movimento político intitulado Libertador, no Rio Grande do Sul, ao instruir seus correligionários como deveriam proceder durante a visita do presidente eleito Washington Luís, a Pelotas, foi tema de críticas em artigos publicados em jornais do Partido Republicano. A visita ocorreu no dia 1º de junho de 1926.

Um deles, o artigo “O assisismo futurista”, impresso na página do jornal carioca O Paiz, foi reproduzido em 10 de junho de 1926. “A Aliança, a célebre Aliança Libertadora do Rio Grande do Sul, resolveu mais uma vez espantar o país com a sua lógica futurista, aplicada à política. Serviu-lhe de mote a viagem do senhor Washington Luís aquele Estado”, declarou o articulista do O Paiz.

No manifesto, a Aliança Libertadora de Pelotas registrou: “a dispensar-lhe cortesias pessoas a que tem direito, na visita “a nossa terra, sem quebra de atitude de reserva a que o vício de origem da sua candidatura nos obriga e obrigará, enquanto não conheçamos as intenções dos atos que nortearão o seu governo”.

“Política ilógica”

O artigo utiliza o termo “assisismo futurista” para analisar essa postura da Aliança, vinculando-a à liderança e doutrina de Joaquim Francisco de Assis Brasil, que posteriormente fundou em 1928, junto com Raul Pilla, o Partido Libertador. O autor critica a “atitude de reserva” da associação, classificando-a como “politicamente ilógica” e possuidora de um “vício de origem”.

Na análise, O Paiz estranhava o fato de uma agremiação, que se dizia republicana e seguidora de Assis Brasil, adotar uma postura de isolamento em relação a uma figura política nacional de grande importância. O autor do texto argumenta que o grupo local tentava justificar seu afastamento com base em uma suposta falta de conhecimento dos atos do político, o que o jornal considera uma tática falha e um “fenômeno de desorientação”. O artigo é um registro da tensão política em Pelotas na década de 1920, expondo a resistência da oposição local (os “assisistas” ou libertadores) em reconhecer ou prestar honras a lideranças ligadas ao governo federal da época.

Importância histórica

Os principais líderes da Aliança Libertadora em Pelotas, movimento de oposição a Borges de Medeiros liderado por Joaquim Francisco de Assis Brasil, foram figuras de destaque regional, com grande trânsito na política estadual. A Aliança Libertadora defendia o voto secreto e uma representação nacional mais proporcional, pondo fim a política oligárquica. Essa luta política se tornou base para a Revolução de 1930, que encerrou a chamada República Velha.

Para enfrentar o Partido Republicano Riograndense, que detinha o poder no Rio Grande do Sul, o Partido Libertador uniu-se aos dissidentes republicanos, sob a liderança de Getúlio Vargas, criando a Frente Única Gaúcha (FUG) em 1928. Essa aliança de oposição ao castilhismo lançou o próprio Vargas à presidência do Brasil, culminando na Revolução de 1930 na deposição de Washington Luís da presidência do país.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense

Há 50 anos

Chuvas no início do mês deixavam cerca de 1,5 mil pessoas desabrigadas

A imprensa pelotense local divulgou em 8 de junho de 1976, que cerca de 1,5 mil pessoas ficaram flageladas, em consequência das chuvas que assolaram o município, especialmente nos dia 5 daquele mês, um sábado. As vilas Castilhos e Farroupilha e as ruas Marcílio Dias e adjacências, na margem direita do arroio Santa Bárbara, foram as mais atingidas.

O serviço de socorro aos flagelados começou, entre 20h e 22h, quando o Departamento de Assistência Social (DAS) da Prefeitura passou a receber chamados telefônicos. Inicialmente, na Guabiroba, onde as águas haviam invadido uma residência. Porém a família se negou a sair, temendo que, sem ninguém a casa fosse assaltada.

O Departamento de Limpeza Pública, que havia colocado à disposição dois caminhões, teve que pôr em ação outros três, além da ambulância e do Fusca do DAS. Na noite do sábado, foram recolhidas 145 pessoas para a Associação Assistencial Nossa Senhora do Carmo e 100 foram colocadas em um dos pavilhões do Parque de Exposições da Associação Rural de Pelotas.

Trabalho no canal

Na época foi divulgado que a causa da inundação seria a assoreação do canal Santa Bárbara, o que impediu que a água escoasse. Para resolver o problema, a Secretaria de Obras e Viação destacou 30 trabalhadores para fazer a limpeza do canal, além de contratar uma draga. A ação ainda contou com o apoio do Corpo de Bombeiros, que emprestou um motor gerador de energia elétrica.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense

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