Jockey Club Pelotas entra no páreo do centenário

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Jockey Club Pelotas entra no páreo do centenário

Fundado em 1930, o “prado” mantém as tradições das corridas e o Grande Prêmio Princesa do Sul

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Jockey Club Pelotas entra no páreo do centenário
Diretoria garante a tradição das corridas no prado (Foto: Gabriel Leão)

Paixão pelo turfe. Assim define quem mantém viva a tradição das corridas de cavalos no quase centenário Jockey Club de Pelotas. Fundado em 1930, guarda em seu patrimônio um suntuoso prédio que remete ao tempo em que a grande atração social dos finais de semana eram as corridas. Ao longo do tempo, alguns processos se modernizaram, mas a movimentação das apostas, o desfile dos cavalos com seus jóqueis, os momentos de tensão e torcida desde o locutor anunciar que foi dada a largada para o grande páreo até … cruzam a faixa final, se mantém pulsantes a cada 15 dias.

Os relatos são de quem se dedica diariamente para o Jockey ao justificar o que mantém vivo o amor pelo esporte esporte. O diretor financeiro, Antônio Meireles, está desde a década de 1990 e não esconde a paixão pelas corridas. A secretária Executiva, Cátia Goveia, entrou nos anos 2000 e hoje abre mão de passar os finais de semana em casa para trabalhar nos eventos esportivos. Já o secretário Executivo da Comissão de Corridas, Alesandro Niemczewski, mantém a geração da família e detalha com precisão todo o processo de um páreo.

Ainda nos bastidores da entrevista esteve o vice-presidente de Patrimônio, Léo Dias Rocheford, e o presidente, Jair Barbosa dos Santos, que mesmo morando em outra cidade, se dedica com paixão à entidade. Para todos é unânime que para manter viva a tradição do turfe em Pelotas exige paixão, esforço coletivo e constante adaptação. Segundo Meireles, a sobrevivência do clube nos dias atuais passa diretamente pelo apoio financeiro proporcionado pelos empreendimentos instalados na área do hipódromo, como a Havan e o Stock Center. “Graças a Deus, esses empreendimentos vieram para nos alavancar e hoje nos proporcionam manter o clube em atividade”, afirma.

Primeiro Prêmio Princesa do Sul pagou 20 mil réis ao vencedor (Foto: Acervo Jockey Club Pelotas)

Mesmo com as dificuldades, Meireles destaca que o objetivo principal segue sendo manter as corridas de cavalos. Ele explica que os proprietários dos animais são fundamentais para a continuidade do turfe em Pelotas. “Os proprietários, com seus animais, suas fardas e sua paixão pelo turfe, nos ajudam a manter o clube funcionando. Tentamos realizar corridas de 15 em 15 dias, mas às vezes não conseguimos inscrições suficientes e precisamos adiar”, conta. Mas o espaço só aumenta em uma semana, para alívio dos apostadores.

“O turfista é muito apaixonado pelo cavalo e pela corrida. Isso faz com que a gente queira manter o clube ativo,” revela Meireles. Atualmente, os únicos hipódromos oficiais do Rio Grande do Sul são o Jockey Club de Pelotas e o Jockey Club do Cristal, em Porto Alegre, embora as chamadas canchas retas também tenham forte tradição no Estado.

Além das pistas, o Jockey Club também trabalha para preservar sua estrutura física. No Salão Nobre, a diretoria busca revitalizar espaços históricos para ampliar a utilização do local em eventos sociais. Conforme Meireles, o trabalho envolve todos os diretores. “Estamos fazendo reformas, melhorando banheiros, pisos e tentando deixar o salão digno da história do Jockey Club”, diz. A etapa atual é os cuidados com algumas aberturas do Salão Nobre, no qual Rocheford mostrava detalhadamente o prestador contratado para o serviço.

Tradições mantidas

O secretário da Comissão de Corridas, Alessandro Niemczewski, explica que atualmente as apostas são realizadas de forma presencial. Durante a pandemia, o clube chegou a operar apostas online em parceria com outros jockeys do país, mas hoje mantém parceria apenas com o site Turf Aposta, de Sorocaba, para jogos em corridas de diferentes hipódromos brasileiros.

Niemczewski relembra que foi preciso adaptações para garantir o bem-estar animal no processo de preparação dos cavalos de corrida. “O novo Código Nacional de Corridas, reformulado em 2022, trouxe regras mais rígidas para disciplinar a preparação dos animais, às condições dos hipódromos e a atuação dos profissionais ligados ao turfe”, destaca. Até mesmo o processo para se inserir um cavalo de corrida é longo. “Os animais são adquiridos ainda jovens e passam por um longo período de doma e treinamento antes de estrearem nas pistas. Quando o cavalo já tem campanha em corridas, é mais rápido, basta procurar um treinador matriculado no Jockey Club”. A genética também influencia muito no desempenho, sendo que a linhagem de pais e avós, além do histórico de desempenho nas pistas.

Elas nos páreos

A participação feminina também vem crescendo dentro do Jockey Club. Cátia Goveia lembra que antigamente o espaço social era mais associado às mulheres que acompanhavam as corridas, mas hoje elas ocupam diferentes funções dentro do turfe. “Hoje temos treinadora, temos mulheres trabalhando na área técnica e também muitas mulheres apostando”, comenta.

Páreos ocorrem de 15 em 15 dias com grande movimento de apostas (Foto: Volmer Perez)

Ela destaca que, apesar das transformações ao longo das décadas, o ambiente das corridas ainda preserva tradições que encantam o público. “No dia do Grande Prêmio Princesa do Sul, por exemplo, as filas nos guichês de apostas lotam. O pessoal gosta de ouvir a narração, de acompanhar os páreos. Isso mexe muito com quem vive o turfe.”

Parcerias

A direção destaca os desafios logísticos enfrentados pelo turfe pelotense devido à distância dos grandes centros. Segundo Cátia, Pelotas mantém uma forte parceria com o Jockey Club do Cristal, em Porto Alegre, hoje o principal hipódromo do Rio Grande do Sul. “Os jóqueis de Porto Alegre vêm montar aqui para nos dar suporte. Sempre vêm quatro, cinco ou seis profissionais nos dias de corrida”, explica.

Ela aponta ainda que existe troca constante entre os hipódromos gaúchos, com cavalos de Pelotas participando de grandes provas em Porto Alegre, como o tradicional Grande Prêmio Bento Gonçalves. Já Meireles salienta que o amor pelo turfe costuma atravessar gerações. “Tem proprietários que seguem a tradição do pai, do avô, que foram jóqueis e treinadores. Isso ainda acontece e é muito bonito de ver”, conclui.

90 anos do Prêmio Princesa do Sul

Considerado o principal evento do calendário do clube, o Grande Prêmio Princesa do Sul mobiliza toda a estrutura do Jockey Club. Segundo Meireles, a prova reúne visitantes de diversas regiões do Brasil. “É o nosso grande prêmio, a nossa prova maior. O turfista vem, reencontra amigos e vive esse ambiente apaixonante”, afirmou.

Com o centenário do Jockey Club se aproximando, a expectativa já começa a mobilizar os frequentadores mais antigos. “Estamos pensando há bastante tempo nos 100 anos do clube. Vai ser um momento muito grandioso”, garante Meireles.

Histórico

O Jockey Club de Pelotas foi fundado em 22 de junho de 1930 por um grupo de apaixonados pelo turfe que criou a Associação Jockey Club de Pelotas. A entidade nasceu pela liderança do coronel Zeferino Costa Filho e tinha como objetivo promover o melhoramento do puro sangue inglês. A data da fundação foi marcada por assembleia nos salões do Clube Comercial com a presidência de Joaquim Francisco Assis Brasil.

Em março de 1936 nasceu o Grande Prêmio Princesa do Sul com a premiação de 20 mil réis para o primeiro colocado. Naquela época o sucesso foi tamanho que o evento bateu recorde de apostas no RS.

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