Gastronomia para alimentar a cidade com uma energia única e criativa

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Gastronomia para alimentar a cidade com uma energia única e criativa

Com espaços de personalidade e a originalidade dos cardápios, o grupo de restaurantes Madre Mia, Nave, Meio Café/Meio Bistrô e Canto atende cerca de 20 mil clientes por mês

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Gastronomia para alimentar a cidade com uma energia única e criativa
(Foto: Christian Bertuol)

Há cerca de 15 anos, surgiu em Pelotas um restaurante pensado para ir além do convencional, ao unir culinária, arte, cultura e eventos. A originalidade do Madre Mia conquistou o público e a ideia de desenvolver espaços gastronômicos criativos, capazes de proporcionar experiências únicas aos clientes, ganhou continuidade com a criação da Nave, do Meio Café/Meio Bistrô e do Canto. Atualmente, os quatro estabelecimentos contam com 120 funcionários e atendem cerca de 20 mil pessoas por mês.

O Madre Mia nasceu do desejo de dois designers de criarem um restaurante e bar diferente em Pelotas, após terem retornado de alguns anos morando fora da cidade. O local escolhido para isso foi uma antiga oficina que estava fechada na rua Santa Cruz, 2200. Em pouco tempo, o espaço foi ressignificado e deu lugar a um ambiente jovial, com exposições de arte nas paredes, itens de decoração à venda, cerveja artesanal e, claro, comida de qualidade. Para construir o cardápio, focado em referências da culinária latina, foi convidado o cozinheiro Jorge Curi.

Com 23 anos na época, o jovem tinha na bagagem a experiência de cinco anos trabalhando em cozinhas de restaurantes em Londres para se sustentar no exterior. Curi aceitou o convite pensando que iria prestar uma consultoria por um curto período, sem imaginar que, em pouco tempo, se tornaria sócio do Madre Mia e fundaria, com os designers e amigos, mais três estabelecimentos de gastronomia em Pelotas.

“Ia ser só uma consultoria para conseguir botar aquelas ideias deles de pé na parte de gastronomia. Mas aí foi um casamento perfeito, porque eu tinha esse know-how de restaurante e eles tinham um know-how de marca, de empresa. Nunca imaginava que iria passar quase 15 anos e eu ainda estaria aqui”, conta.

A expansão dos negócios e da gastronomia

Com o sucesso do Madre Mia e da parceria, menos de seis anos depois da inauguração do restaurante, Jorge Curi e os sócios estavam em busca de um novo local para acomodar o grande volume de público que comparecia aos eventos de rua realizados pelo estabelecimento. O terreno da rua Antônio dos Anjos, 98, foi escolhido com o mesmo propósito inicial da sede do Madre Mia, ressignificar um espaço que antes estava quase abandonado.

“Ia ser só um lugar para fazer os eventos, para poder fechar as portas e tal, e aí a Nave vai tomando outros contornos”, diz o chef de cozinha. Com a possibilidade de construir uma cozinha ampla e de receber mais de 1,2 mil pessoas, o lugar se tornou uma incubadora de negócios gastronômicos e um novo estilo de restaurante. Na Nave foram desenvolvidas outras opções de cardápio, com linhas próprias de pizzas, hambúrgueres e parrilla.

No local, também surgiu uma marca que passou a representar grande parte da identidade do grupo: a Doces Devaneios, com sobremesas marcantes como a torta de chocolate Y Morirme Contigo, a De las Guapas e uma série de outras opções exclusivas. “Então a Nave nasceu e a gente conseguiu expandir a nossa confeitaria”.

Assim como o Madre Mia, a Nave se destacou por seu ambiente singular em estilo industrial, com um amplo pátio, pratos autorais e a forte conexão com a arte e a cultura, se tornando o segundo empreendimento gastronômico de sucesso do grupo. Com o crescimento dos dois restaurantes, o próximo passo da expansão dos negócios foi dado no Parque Una. Um dos locais mais movimentados da cidade, abriga o Meio Café/Meio Bistrô, inaugurado em 2021, e, mais recentemente, o Canto Restaurante, que abriu as portas no ano passado. “Cada um dos lugares tem uma visão conceitual do que quer vender”, diz Curi.

Enquanto o Meio Café oferece um cardápio variado, com sanduíches, toasts, bowls e opções funcionais para almoço e jantar, o Canto aposta em uma proposta mais tradicional, com buffet diário ao meio-dia e pratos de massas, carnes e frutos do mar à noite.

“Nasce o Canto com essa ideia de ser sem invenções gastronômicas, sem inspirações cruzadas. A gente serve um bom filé parmegiana, ele é muito inspirado na culinária italiana, as massas todas são frescas, não tem nenhum nome ultra criativo justamente para não confundir nosso cliente.”

Gastronomia com criatividade

O chef de cozinha destaca que, desde o nascimento do Madre Mia, o propósito do grupo continua o mesmo: “alimentar a cidade com energia criativa”. Essa característica está aliada ao objetivo de construir uma identidade de pertencimento dos negócios em relação a Pelotas. Com o sucesso do Madre Mia, em pouco tempo o grupo recebeu a proposta de transformar o restaurante em franquia, no entanto, decidiu manter sua identidade no local de origem.

“Aí eu acho que a gente fincou o pé com orgulho na cidade. Um orgulho de pertencer e ser. E ser o Madre único e ter essa identificação com Pelotas”, afirma Curi. Além disso, o chef cita o vínculo que o grupo construiu ao longo dos anos com o público. Para ele, a expansão dos negócios acompanha as mudanças da cidade e dos diferentes perfis de clientes cativados pelo atendimento.

“Às vezes algumas pessoas nos elogiam e dizem: em Porto Alegre isso daria muito certo, ou em São Paulo. E a gente acredita que sim. Mas nosso lugar é Pelotas. E aqui é o lugar para nos encontrar”, diz.

Comprometimento e valor agregado

Para além dos espaços criativos e despojados e de um cardápio variado, o chef ressalta que o crescimento do negócio é proporcionado pelo aperfeiçoamento contínuo do trabalho e pelo comprometimento com os clientes. “É sobre as pessoas sentirem um valor agregado naquilo que estão investindo, no produto que estão consumindo, em uma troca justa com os funcionários que trabalham com a gente”, cita.

No início, o Madre Mia e a Nave atendiam predominantemente um público jovem. Atualmente, essa faixa etária ainda é bastante presente, porém os estabelecimentos também passaram a receber clientes com perfil familiar e até pessoas mais idosas, que se tornaram fiéis aos restaurantes. Por isso, são realizadas mudanças periódicas tanto no cardápio quanto nos ambientes, de modo a acompanhar a evolução do público.

“A gente troca de cardápio anualmente, já perdemos as contas, mas acho que já temos 17 ou 18 cardápios. Essa construção, essa troca de cardápio, também foi permitindo viver diversas fases do negócio”, explica.

Segundo Curi, além das dificuldades enfrentadas no início da trajetória empreendedora no sensível mercado gastronômico, os maiores desafios são diários, envolvendo a continuidade do atendimento e a manutenção de uma gastronomia de qualidade em quatro estabelecimentos que, em um sábado comum, chegam a receber mais de mil clientes no almoço. “O grande desafio é esse: a continuidade do legado, a consistência do que a gente faz”, diz.

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