Pescadores da Z-3 relatam dificuldades com safra fraca e atraso no defeso

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Pescadores da Z-3 relatam dificuldades com safra fraca e atraso no defeso

Demora no pagamento do recurso do ano passado e falta do crustáceo na lagoa prejudicaram categoria ainda mais

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Atualizado segunda-feira,
20 de Abril de 2026 às 08:35

Pescadores da Z-3 relatam dificuldades com safra fraca e atraso no defeso
Sem o repasse, famílias enfrentam dificuldades econômicas e precisam buscar alternativas para atravessar os meses sem atividade (Foto: Jô Folha)

Pescadores da Colônia de Pescadores Z-3 seguem cobrando o pagamento do seguro-defeso referente a 2025. O benefício, referente a um salário-mínimo mensal, é destinado aos trabalhadores artesanais durante o período em que a pesca fica proibida para preservação das espécies. Mesmo com decisão judicial favorável, a maioria ainda não teve acesso aos recursos.

Sem o repasse, famílias enfrentam dificuldades econômicas e precisam buscar alternativas para atravessar os meses sem atividade. Em setembro de 2025, pescadores chegaram a protestar na Prefeitura e na Câmara de Vereadores de Pelotas para cobrar providências sobre o atraso.

Segundo o presidente do Sindicato dos Pescadores da Colônia Z-3, Nilmar Silva da Conceição, o valor referente ao último período de defeso ainda não foi depositado. Ele atribui parte do problema à mudança no sistema de encaminhamento do benefício. “Era através do INSS, depois foi para o Ministério do Trabalho”, explica.

Enquanto aguardam os valores, a colônia realiza um mutirão para atualizar a documentação necessária para o próximo ciclo. “Agora em maio a gente tem que encaminhar o defeso de novo. A gente tem que atualizar a documentação. É isso que estamos fazendo aqui. Então é todo dia, 15, 20 pessoas”, conta.

Nilmar relata que muitos pescadores estão sobrevivendo com ajuda de parentes e aposentadorias de familiares. “A gente se vira do jeito que pode. Tem alguns aposentados onde a família se garante, o resto se vira.”

Semana Santa amenizou perdas

Mesmo diante das dificuldades, a Semana Santa trouxe alívio financeiro para parte das famílias. O período costuma ser o mais importante do ano para a comercialização de pescado. “A gente aproveitou a Semana Santa que é o momento de ganhar um pouco melhor”, comemora. Segundo Conceição, cerca de 40 famílias participaram das tradicionais feiras do pescado organizadas na comunidade. As vendas na própria colônia e no Mercado Central também foram positivas.

Apesar do bom movimento, por condições climáticas, a oferta de peixe foi menor do que em outros anos. “Quando entra água salgada na lagoa, a gente tem uma grande quantidade de peixe. Já faz alguns anos que a gente não tem tido por causa das enchentes. Nesse ano, a água salgou tarde, o que deixou a Semana Santa com pouco peixe”, explica.

Safra do camarão foi fraca

Outro problema enfrentado pelos pescadores da Z-3 neste ano foi a baixa safra do camarão, um dos pescados mais procurados pelos consumidores. Conforme Conceição, o excesso de água doce na Lagoa dos Patos prejudicou o ciclo reprodutivo da espécie. “A larva não entrou em outubro, como de costume. Ela foi entrar no final de janeiro, quando a água já tinha baixado. Atrasou todo processo”, diz.

Com isso, praticamente não houve produção local. Segundo ele, muitos trabalhadores precisaram buscar renda em outras áreas. “Praticamente não teve camarão aqui em Pelotas. Todo camarão que foi vendido aqui é de Rio Grande. Nossos pescadores vão para lá pescar”, conclui.

Novo programa gera expectativa

A comunidade também iniciou inscrições em um programa do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), voltado à criação de um Projeto de Assentamento Extrativista (PAE). O modelo busca reconhecer territórios ocupados por populações tradicionais e ampliar o acesso a políticas públicas, crédito e apoio produtivo. O pedido apresentado pela categoria contempla cerca de 800 famílias de pescadores artesanais das localidades da Colônia Z-3, Balsa e Pontal.

A pescadora Adriana Chagas afirma que a medida pode representar um avanço importante para os pescadores de Pelotas. Segundo ela, o cadastro inicial pode garantir apoio financeiro às famílias. “A grande dificuldade para a pesca artesanal é acessar política pública.” Segundo a pescadora, o cadastro poderá garantir acesso inicial a financiamento de R$ 8 mil.

Adriana afirma que a comunidade acompanha o processo com esperança. “É inicial, mas a gente tem a expectativa que dê certo. Estamos torcendo por isso”, conclui.

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