Alguns debates sempre ficam à margem

Editorial

Alguns debates sempre ficam à margem

Alguns debates sempre ficam à margem
(Foto: Jô Folha)

Mais um ano eleitoral chega e, com a ideologia como o claro norteador do pleito, estamos desperdiçando a oportunidade de amadurecer como país no debate eleitoral. A correria contra prazos e a síndrome de avestruz diante de algumas situações faz com que ou a discussão seja na correria pelos prazos – como estamos vendo com a escala 6×1 – ou deixada de lado convenientemente, até estourar. Enquanto isso, temas aleatórios seguem dando mais like, engajamento e, por isso, surgem mais vezes.

Há inúmeros assuntos que deveriam nortear as conversas eleitorais. Por exemplo, saneamento básico. Esta é uma área com maior impacto direto sobre a saúde pública, o meio ambiente e o desenvolvimento econômico de uma comunidade. Há o prazo de alcançarmos as metas do Marco Legal do Saneamento até 2033. Mas quem acompanha sabe que parte significativa dos municípios sabe que os desafios são homéricos e o prazo estreito. Como chegaremos lá, quando ainda falta o básico? Cerca de 43% dos brasileiros vivem sem coleta de esgoto e 16% ainda não têm acesso à água potável. Mas investir em saneamento raramente dá voto. Não aparece.

Também nesta semana veio à pauta o caso da brasileira que foi à Suíça para ter acesso a suicídio assistido, depois de ter sido diagnosticada com uma doença neurodegenerativa que comprometeria todos os seus movimentos e falas. Você, leitor, consegue imaginar o Brasil tendo maturidade para sequer debater esse assunto hoje? Outras tantas situações, como a forma como lidamos com a guerra às drogas e às facções, a independência de programas sociais e as próprias relações de trabalho também sempre caem no mesmo limbo: debate ideológico, sem qualquer técnica. Apenas crenças e ideias pré-concebidas.

Nossos políticos, infelizmente, encontraram um caminho muito simples de ganhar engajamento sem precisar trabalhar muito. Basta um post bem pensado na rede social, uma declaração polêmica ou uma frase verborrágica para mover suas massas. Enquanto isso, o trabalho e o debate de ideias, tão necessário no parlamento, fica para segundo plano. Agora é a chance de mudar. Mas teremos maturidade para tal?

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