O cenário do empreendedorismo em Pelotas e região tem ganhado um novo rosto: feminino, corajoso, colaborativo e resiliente. O que nasceu de um encontro casual entre duas mulheres no Laranjal hoje se transformou no Conectando Mulheres, um projeto que chegou à sua quarta edição, sendo como uma vitrine de negócios e, acima de tudo, uma poderosa rede de apoio emocional e profissional feminino.
Criado por mulheres e para mulheres, nesta última edição, o evento reuniu cerca de 50 empresárias e 20 expositoras, apresentando um formato dinâmico de rodada de negócios que desafia a lógica da concorrência tradicional. O objetivo? Transformar “mulheres que fazem” em “empresárias que lideram”.
Conexão à primeira vista

Isabel (E) e Ludimila (D) são as idealizadoras do projeto Conectando Mulheres (Foto: Nátalli Bonow)
A história do projeto é um exemplo vivo de que nunca sabemos o dia de amanhã. A Dra. Isabel Borba, biomédica estética, retornou para Pelotas após duas décadas fora e buscava formas de se posicionar no mercado local. Ao observar o capricho e o posicionamento de Ludmilla, proprietária da marca Milla B Acessórios Finos, em uma exposição no Laranjal, o convite para uma parceria foi imediato. “Foi genuíno. Organizamos a primeira edição basicamente por troca de mensagens”, relembra Ludmilla.
O primeiro encontro reuniu 35 mulheres. O sucesso foi tão grande que a escala cresceu rapidamente: o movimento já passou pelo Parque Tecnológico, com 100 mulheres, e pelo San Sebastião, em uma edição de gala com 140 participantes e desfile de moda. Segundo as idealizadoras, a adesão mostra que as empreendedoras locais estavam carentes de espaços onde pudessem, simultaneamente, aprender e divulgar suas marcas em um ambiente completamente feminino.
Transição e propósito: o chamado da cura
A presença de negócios voltados ao bem-estar e às terapias integrativas são setores que têm ganhado força desde a pandemia da Covid-19. Foi assim que Priscila Cardoso, ex-advogada, encontrou um novo rumo para sua vida: ela viu sua trajetória profissional ser interrompida e redirecionada pelo isolamento social de 2020.
Enquanto cuidava dos três filhos pequenos, Priscila buscou no Reiki uma ferramenta de autocura que acabou se tornando seu novo trabalho. Hoje, ela comanda o Reequilibre-se Espaço Terapêutico, onde lidera um grupo de seis terapeutas. No evento, Priscila apresentou sua “lojinha terapêutica”, com produtos energizados com o próprio Reiki, mostrando que o empreendedorismo também pode ser um veículo para despertar o poder de cura em outras pessoas.

Priscila Cardoso (E) e Darlene Peter (D) (Foto: Nátalli Bonow)
Nesse mesmo rumo e integrando a equipe de Priscila, surge Darlene Peter. Há pouco mais de um ano no ramo, ela encontrou nas terapias uma forma de lidar com as energias externas, traumas e preocupações. Para ela, o evento não é apenas sobre vender serviços, mas sobre encontrar outras mulheres que entendem que o ser humano não é apenas físico, mas também mente e espírito.
A luta contra a síndrome da impostora
Um dos maiores obstáculos apontados pelas idealizadoras não é a falta de capital, mas a dificuldade de autoidentificação. Muitas mulheres que já geram renda e possuem clientela fiel ainda hesitam em se intitular empresárias. Isabel Borba pontua que muitas acham que, por estarem começando em ambientes pequenos ou de forma caseira, não pertencem a espaços mais estruturados.
Para combater esse sentimento, o evento foca na “voz”. Na rodada de negócios, muitas participantes pegam o microfone pela primeira vez para falar de seus sonhos e metas. Miriam Cavallin, consultora e esteticista com quase uma década de experiência, reforça que a confiança vem do espelhamento. Ao perceber que mulheres de diversos setores enfrentam os mesmos dilemas, a empreendedora sente-se mais confiante para aumentar sua “boca de funil” e buscar o crescimento.
Empreendedorismo e solidariedade andando lado a lado
O crescimento do Conectando Mulheres também traz uma responsabilidade social. As organizadoras anunciaram que, a partir da próxima edição, prevista para outubro deste ano, o evento terá um foco beneficente voltado ao Asilo de Mendigos de Pelotas. “Queremos abraçar quem precisa de ajuda financeira, de amor e de tempo”, afirma Isabel.
