Desenvolver autonomia, responsabilidade e equilíbrio emocional estão entre os principais desafios da educação na atualidade. No Colégio Gonzaga, esse processo começa desde cedo e envolve não apenas a escola, mas também a participação ativa das famílias fora de sala de aula. A proposta de formar estudantes capazes de gerenciar suas rotinas, tomar decisões conscientes e atuar de forma responsável na sociedade fazem parte dos pilares da educação gonzagueana.
Na sala de aula dos alunos do 4º ano do Ensino Fundamental da professora Elisa Larrosa, a troca é constante. A turma 141, composta por 22 alunos entre nove e dez anos, é a única da série na parte da manhã com unidocência, em um turno em que alunos do 5º ano do Fundamental até o Ensino Médio convivem pelos corredores do colégio com os pequenos. Com mais de 25 anos de experiência, Elisa é responsável por ensinar todas as disciplinas em um formato dinâmico e humano, em especial na escuta e no acolhimento de cada um. Ela reforça que a proposta pedagógica é formar indivíduos capazes de reconhecer suas emoções e gerenciar conflitos internos ao longo da vida. “Ensinar não é só transmitir conteúdo. É preparar o aluno para conviver, respeitar e entender o outro”. Na atividade de leitura, por exemplo, pautas como inclusão e empatia aproximam o personagem da realidade, o que de acordo com a professora vai muito além do conteúdo. “O Gonzaga trabalha com a formação integral do aluno e muitas situações que eles irão enfrentar na vida não estão nos livros, e nosso compromisso, também, é fazer essa intermediação de questões em que cada um irá lidar ao longo de sua caminhada além da escola”, diz.
A parceria entre escola e família
Um dos pontos mais reforçados pela equipe pedagógica é o papel fundamental da família no processo das vivências além de sala de aula. A coerência entre o que é trabalhado no ambiente escolar e o que é vivenciado em casa fortalece o desenvolvimento das crianças e adolescentes. Para a coordenadora pedagógica, Juliana Oliveira, a parceria entre escola e família é o que fomenta toda base da educação do Colégio. “Muitos pais já foram nossos alunos, têm como referência nossa metodologia e acreditam no modelo de educação que oferecemos. Sempre trabalhamos de uma forma que seja adequada para a realidade dos estudantes de hoje”, conta.

(Foto: Gabriel Leão)
Pequenas atitudes diárias, como organizar o próprio material, participar de tarefas domésticas ou gerenciar horários, contribuem diretamente para a formação de um estudante mais responsável. E esse exemplo deve vir de casa. “Não adianta a escola incentivar a responsabilidade se, em casa, a criança não tem espaço para praticar isso. É um trabalho conjunto”, destaca a supervisora pedagógica, Adriana Rosinha. Para ela, os pais, na perspectiva socioemocional e cognitiva, educam, e a escola educa com o propósito focado na aquisição do conhecimento. “A meta é a mesma, porém as ações são complementares. Não é só uma questão de currículo escolar, é uma questão de vivência no âmbito da família, são duas instituições que precisam estar alinhadas para o melhor benefício do desenvolvimento dessa criança”, complementa.
A autonomia como parte do processo educacional
De acordo com Adriana, a autonomia não surge de forma espontânea. Ela é construída gradualmente, a partir de pequenas experiências do cotidiano que incentivam a criança a assumir responsabilidades compatíveis com sua idade. No ambiente escolar, esse desenvolvimento acontece por meio de práticas simples, porém intencionais: organização de materiais, cumprimento de combinados, participação nas atividades e tomada de decisões dentro da rotina. “Autonomia não é independência total. É dar condições para que a criança faça escolhas e entenda as consequências delas, com o apoio do adulto”, afirma.
Esse processo exige paciência e constância, já que cada fase da infância e adolescência apresenta desafios específicos. O objetivo é que o estudante evolua progressivamente, tornando-se mais seguro e confiante. Para a professora Elisa, “quando o aluno entende que ele é parte ativa do próprio aprendizado, tudo muda. Ele passa a ter mais compromisso e interesse”.
Líder em Mim
O programa Líder em Mim integra a proposta pedagógica do Colégio Gonzaga como uma metodologia voltada ao desenvolvimento de competências socioemocionais e de liderança desde a infância. Baseado em princípios de formação integral, o programa trabalha habilidades como responsabilidade, organização, empatia, autonomia e tomada de decisão por meio de práticas cotidianas dentro da escola. A proposta é que os estudantes compreendam seu papel dentro do ambiente escolar e também na sociedade, desenvolvendo atitudes alinhadas a valores como respeito, colaboração e de autogestão.

Programa Líder em Mim integra proposta de desenvolvimento das competências socioemocionais (Foto: Gabriel Leão)
“Quando a gente fala em liderança, não é sobre mandar ou ocupar um cargo, mas sobre assumir responsabilidades e entender o próprio papel no mundo”, explica a supervisora Adriana. Segundo ela, o diferencial está na forma como esse desenvolvimento é conduzido dentro da escola. “Não é algo intuitivo. Para que isso aconteça de verdade, precisa de metodologia, de mediação e de intencionalidade pedagógica. A gente trabalha essas competências de forma sistematizada, porque só assim elas se tornam efetivas na formação do aluno”, destaca.
Para a professora Elisa, o programa contribui diretamente para a formação de estudantes mais conscientes e participativos. “O Líder em Mim trabalha competências que vão acompanhar esse aluno para a vida inteira. Cada aluno escolhido é responsável por uma determinada tarefa, que vai desde apagar o quadro, como pedir auxílio para algum colega que esteja precisando. Muitos aspectos são trabalhados e temos resultados espetaculares em pouco tempo”, destaca.
Desafios da educação na era digital
Em um cenário marcado pelo imediatismo e pelo excesso de estímulos digitais, a formação da autonomia e da responsabilidade se torna ainda mais desafiadora. No Colégio Gonzaga, a construção dessas habilidades passa também pelo enfrentamento da ansiedade e da dificuldade de concentração, cada vez mais presentes entre crianças e adolescentes. “Hoje a gente vive uma ansiedade coletiva, muito influenciada pela era digital. Há estudos que indicam que o foco atencional das crianças chega a cerca de dez segundos, e isso impacta diretamente na aprendizagem”, explica a coordenadora pedagógica Juliana. Segundo ela, o trabalho pedagógico busca justamente reequilibrar esse cenário, resgatando práticas essenciais para o desenvolvimento cognitivo. “Por mais que tenhamos recursos tecnológicos, o essencial ainda precisa ser ensinado: sentar, abrir o livro, ler e estudar. E isso, para uma geração hiperestimulada, é um grande desafio”, destaca.
