Velho amigo

Opinião

Aléxia Porto

Aléxia Porto

Poetisa

Velho amigo

Por

Tenho um velho amigo guardado na memória, escondido nas entrelinhas da maioria das minhas histórias.

O vejo com frequência nos pensamentos que ocasionam as minhas poesias.

Às vezes encontro seus vestígios nas letras das músicas que escuto,  leio de relance o seu nome nas placas das ruas que ando.

Sempre tentando reencontrar pelo menos um traço, um modo de falar que me devolva a sua presença, sua essência.

Agora em uma cidade vazia e sem a sua companhia, me identifico como uma nova pessoa e

recomeçando mais uma vez a própria história.

A casa está vazia, as cortinas estão fechadas e ninguém está voltando.

O cheiro do café ainda está no ar, mas não há ninguém para desfrutar.

O violão está empoeirado no canto da casa.

Enquanto lá fora a grama cresce sem parar, sem alguém para cuidar.

Há um eco, um silêncio que marca presença de algo que foi vivido intensamente.

Os livros são jogados na fogueira e cada palavra desaparece na chama.

Não resta dedicatória, poesia ou letra para registrar.

Nenhuma mensagem, carta ou notícia.

Dois corpos estranhos escondendo as histórias de um tempo perdido e distante,

pois no fundo os dois sabem que jamais serão felizes como foram antes.

É um caminho sem volta, o final da história.

Um tempo tão bonito, virando apenas mais um traço do passado de dois desconhecidos que dividem memórias.

– Aos antigos amigos que ainda guardo no peito.

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