Sempre foi assim. E daí?

Editorial

Sempre foi assim. E daí?

Sempre foi assim. E daí?
(Foto: Jô Folha)

Poucas frases são tão negativas para o desenvolvimento de uma região ou para os negócios quanto a clássica “mas sempre foi feito assim”. Sobretudo em pontos que estão estagnados ou que já deveriam ter sido mudados. É importante ter sempre em mente que o tempo passa, as coisas se atualizam e novas opções surgem. Que talvez possam facilitar, baratear ou até mesmo não fazer sentido, mas é importante estar de olhos abertos. Por esse motivo, é plausível de elogios ver a Câmara de Vereadores de Pelotas se engajando no debate sobre alternativas para o transporte coletivo. E é um tema que ganhou aderência em todas as frentes ideológicas que compõem nosso parlamento.

É um debate necessário e urgente, como tantos outros que estagnaram no tempo. Há queda vertiginosa no número de usuários, sobretudo após a pandemia. O avanço dos transportes por aplicativo e o aumento no custo dos combustíveis fez com que, para muitas pessoas, o ônibus deixasse de fazer sentido. Mas esse modal ainda é essencial para a qualidade urbana de uma cidade: tira carros da rua, polui menos, melhora a mobilidade e oferece possibilidades para a população. Talvez, todas essas discussões que estão ganhando corpo em Pelotas não deem em nada, mas é importante pensar em opções para algo que claramente não está mais funcionando.

O mesmo serve para a atração de investimentos. Pelo formato atual da nossa economia, pela nossa localização geográfica e pelo perfil do trabalhador, talvez hoje não faça mais sentido ficarmos sonhando com uma mega indústria que venha ser a salvadora da pátria. Talvez, diversificar os negócios e atrair investimentos variados, em menor tamanho, mas em maior volume, seja a saída para a nossa cidade. Investir em logística, valer-se da nossa capacidade de formação científica e tecnológica e da segurança ambiental que possuímos em boa parte do nosso território seja o caminho.

Olhar para um passado de sucesso é sempre fundamental, afinal a memória vale ouro e nos ensina os caminhos que devemos ir e/ou evitar. Mas prender-se a ele e tentar eternamente repeti-lo é extremamente perigoso, sob o risco de parar no tempo.

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