O calçadão da cidade do Rio Grande deve ganhar uma cara nova com o investimento de R$ 3,1 milhões anunciado pela Prefeitura. O projeto “Centro + Vivo” teve seu processo licitatório iniciado com a promessa de ir além de uma reforma visual. Para os coordenadores Gabriel Fernandes e Giovana Trindade, o objetivo central é resgatar a vitalidade do comércio, solucionando gargalos de infraestrutura e acessibilidade que há anos prejudicam o fluxo de pessoas na área.
O “ciclo vicioso” de esvaziamento
Segundo Gabriel Fernandes, o centro de Rio Grande, assim como o de outras cidades, sofreu um impacto severo causado pela digitalização dos serviços, pela pandemia de COVID-19 e, mais recentemente, pelas enchentes de 2024. “Entramos em um ciclo vicioso. A falta de circulação de pessoas leva ao aumento do comércio informal e à degradação urbana, que, por sua vez, afasta ainda mais o público”, explicou Fernandes.
A descentralização geográfica da cidade, onde o centro comercial não coincide com o centro geográfico, somada ao alto custo dos aluguéis, também foi apontada como um fator que impulsionou a abertura de lojas em bairros e no ambiente online.
O que muda com a reforma?
A obra, que sucede a última grande intervenção realizada ainda na década de 1990, foca em quatro pontos principais:
- Saneamento e Drenagem: Substituição das redes de esgoto e águas pluviais. A rede de esgoto, que hoje se encontra a 4 metros de profundidade, acaba dificultando manutenções e, com isso, será trazida para uma camada mais superficial (cerca de 1 metro).
- Acessibilidade e Piso: troca completa do pavimento para corrigir afundamentos e buracos, garantindo uma melhor circulação para idosos, crianças e pessoas com deficiência.
- Iluminação e Elétrica: modernização da iluminação pública e aterramento de parte do cabeamento.
- Mobiliário Urbano: instalação de novos bancos, lixeiras e equipamentos de convivência.
“Calçadão Mais Legal”
Outro projeto em pauta é o “Calçadão Mais Legal”. Diferente do programa Centro + Vivo, ele será voltado especificamente para a regulamentação do uso do calçadão. Giovana destacou que, além das obras físicas, a iniciativa vai estabelecer regras claras para a ocupação do espaço público. Para isso, a prefeitura pretende formar grupos de trabalho com lojistas, CDL, moradores e ambulantes, a fim de definir de forma conjunta como será a utilização do local após a revitalização.
Outro ponto considerado fundamental no projeto é o enfrentamento dos imóveis abandonados. A administração municipal avalia a aplicação de instrumentos legais, como o parcelamento e a edificação compulsória, para garantir que prédios desocupados cumpram sua função social — podendo, inclusive, dar lugar a novas lojas ou moradias.
O Centro como moradia
Para além do comércio, o projeto também foca em quem escolheu a região para viver. A busca por qualidade de vida tem sido o principal motivo da migração de moradores para áreas como o Cassino, um movimento que a prefeitura espera mitigar com a entrega de um ambiente mais seguro e acessível. A ideia é que, ao oferecer infraestrutura qualificada e rotas de acessibilidade que conectam o transporte público aos serviços essenciais, o poder público consiga fomentar a permanência dos residentes. “Queremos trazer essas qualificações que o nosso centro precisa para que as pessoas continuem morando no centro e tenham o desejo de estar aqui”, afirmou Giovana.
O Centro aos Domingos
Uma preocupação para os moradores e possíveis turistas é a falta de opções gastronômicas e de lazer nos finais de semana. Esse ponto foi reconhecido e está entre as mudanças que acontecerão. Em outro momento será dialogado com o setor de Economia Criativa e com os comerciantes para estender os horários de funcionamento. “Queremos que o Rio-grandino e o turista sintam desejo de estar no centro. A revitalização é o primeiro passo para que um novo empreendedor se sinta seguro em abrir uma cafeteria que funcione aos domingos, por exemplo”, concluiu Fernandes.
