A prefeitura de Pelotas projeta que o Hospital Regional de Pronto Socorro (HRPS) inicie as operações até 30 de junho. Com a obra civil praticamente concluída, as atenções voltam-se para a implementação e o funcionamento do novo complexo de saúde para urgências e emergências que atenderá toda a região Sul. Dentro de um período de transição, os trabalhadores que atuam no atual Pronto Socorro, aproveitados no novo hospital, farão parte de uma fundação pública municipal para a manutenção de seus vínculos empregatícios.
A secretária da Saúde, Ângela Vitória, garantiu que o plano de gestão atual não conta com demissões no quadro profissional que atua neste momento no Pronto Socorro de Pelotas. As rescisões custariam aos cofres públicos cerca de R$ 34 milhões, valor que o município não teria disponível. “Além disso, do ponto de vista assistencial também, a gente não acha interessante começar um pronto-socorro com toda equipe nova. Porque nós já temos uma equipe com habilidade e com capacidade técnica para dar resposta a questões complexas”, reforça.
Atualmente, segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o pronto socorro conta com 348 trabalhadores. A solução encontrada foi a criação de uma fundação pública para a qual esses funcionários irão migrar e ela irá trabalhar com um quadro de pessoal em extinção. “Na mesma lógica que é a de uma sucessão de empresas, o trabalhador leva seu vínculo funcional e seus direitos trabalhistas. Então quando tiver a rescisão, se é um trabalhador que está há 15 anos no pronto-socorro, e trabalhar mais dois anos no novo pronto-socorro pela fundação, ele vai ter 17 anos uma única carreira”, explica Ângela.
A administração do Hospital Regional de Pronto Socorro será do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) que já têm editais publicados para a contratação através de processos seletivos simplificados.
Novos contratados
O primeiro edital lançado pelo GHC contempla vagas para funções como atendente de nutrição, auxiliar administrativo, técnico de enfermagem, programador, enfermeiro, engenheiro, farmacêutico, fisioterapeuta, psicólogo, entre outros. Os salários variam de cerca de R$ 2,5 mil a mais de R$ 12 mil, podendo chegar a mais de R$ 17 mil no caso de odontólogo com gratificações.
O segundo processo contempla diversas especialidades médicas, todas para cadastro de reserva, com taxa de inscrição de R$ 38,00. A remuneração mensal prevista é de R$ 17.617,95 para carga horária de 150 horas mensais, incluindo salário base e gratificação, podendo o regime de trabalho ser de rotina ou plantão, definido no momento da convocação.
Também estão previstas vagas destinadas à ampla concorrência e a grupos específicos, como pessoas com deficiência, negros, indígenas e quilombolas. O edital ainda orienta os candidatos a acompanharem todas as publicações e etapas do processo pelo site da banca organizadora, a cargo do Instituto Avalia, no endereço eletrônico www.avalia.org.br, onde também estão disponíveis os anexos com atribuições dos cargos, cronograma e demais informações.
As inscrições estão abertas até dia 27 de abril, com expectativa que a seleção aconteça em maio e o treinamento em junho para, até o dia 30 de junho, o hospital entrar em operação.
Início
A abertura do HRPS acontecerá por etapas, como era previsto desde o projeto original, segundo a SMS. Serão realizadas as mudanças das atuais instalações do Pronto Socorro para o novo prédio. A parte clínica, cirúrgica e traumatológica necessita de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para operar, e de duas salas de cirurgia, sendo as prioridades na primeira etapa. “O projeto original do pronto-socorro previa algumas especialidades, como o politrauma, a neurocirurgia e a cirurgia geral, que formam a clínica de urgência, então essas especialidades precisam começar junto com o pronto socorro”, afirma a secretária.
As demais especialidades serão implementadas à medida que os profissionais forem sendo contratados, os equipamentos adquiridos e organizado o fluxo de assistência. “Isso não significa só abrir um novo hospital em Pelotas, mas significa reorganizar o fluxo de atendimentos entre os hospitais”, reforça Ângela.
Estrutura
Foi assinado um acordo de cooperação técnica entre a prefeitura e o GHC, que prevê apoio em todas as etapas de implementação e de abertura, não só na gestão final do complexo hospitalar.
Com a obra praticamente finalizada, faltam alguns detalhes para a liberação do prédio, que já conta com luz, água e internet. Segundo a secretária da Saúde, os elevadores do prédio já estão instalados, mas ainda precisam passar por um teste de carga para serem liberados. Uma equipe já realiza a limpeza dos arredores, com corte de grama e organização para retirada do tapume nos próximos dias.
