Viajar, escrever e publicar serão os temas do bate-papo entre as jornalistas Gabriela Mazza e Patrícia Lima no encontro que ocorre hoje, às 18h, no Instituto João Simões Lopes Neto, em Pelotas. Na ocasião acontece o lançamento do livro Os Lima pelo mundo, no qual Patrícia relata as viagens que faz com seu pai, Gilberto Lima, por diferentes cantos do mundo. Ela transformou a experiência dessas imersões, com todos seus encantos e perrengues, em um livro de crônicas.
A obra tem prefácio da escritora e roteirista Claudia Tajes e a capa assinada pelo ilustrador rio-grandino Luciano Canteiro, além do projeto gráfico da designer pelotense Melina Gallo. A autora é formada pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e sócia da editora Capítulo 1, de Porto Alegre. A entrada é franca e após a conversa haverá sessão de autógrafos e venda dos livros.
O que traz Os Lima pelo mundo?
É um livro de crônicas de viagem que eu escrevi sobre as viagens que eu fiz com o meu pai ao longo dos últimos 15 anos. Eu sou rio-grandina, mas me formei na Católica em Pelotas há 25 anos. Esse é um primeiro projeto autoral que eu faço, eu já escrevi outros livros. Esse é um ensaio autoral que eu estou fazendo. Trabalhei como jornalista, então eu escrevo muito, por óbvio, mas sempre escrevo sobre os terceiros. E agora estou escrevendo coisas a meu respeito, assim, é uma coisa que te confesso meio estranha pra mim. Estou acostumada a entrevistar outras pessoas, escrever histórias de outras pessoas, mas dessa vez eu tô tentando fazer uma coisa pessoal. Enfim, é um livro muito leve, que espero que seja divertido, que fala de viagem, nossos perrengues meus e do meu pai, ao longo desses anos, viajando juntos.
As crônicas são tuas e dele? Ele é teu parceiro de viagens há quanto tempo?
As crônicas são minhas, com um texto de apresentação dele e alguns insights, que nós chamamos de “pitacos do pai”, com as impressões dele, coisas que chamaram a atenção dele. A história do livro é a seguinte: ele sempre gostou de viajar, viajávamos em família quando éramos pequenas, eu e a minha irmã. O sonho dele era conhecer Portugal, e quando esse sonho começou a se tornar possível, devido à popularização das viagens aéreas e tal… minha mãe começou a apresentar os sintomas de Alzheimer. Ela ficou doente por mais de 15 anos, faleceu em 2022. Ele pensou em abandonar o sonho, mas eu propus que a gente viajasse juntos e assim começamos. E fomos reunindo histórias, perrengues e curiosidades. E ano passado resolvi escrever algumas dessas histórias, junto com o pai, e assim nasceu o livro.
Quantos anos tem teu pai? Ele já escrevia antes?
Ele tem 77 anos, completou em abril, comemoramos no Peru. Não, o pai não escrevia, escreveu esses textinhos e a apresentação… ele gosta muito de histórias, é leitor de Simões Lopes Neto, Eça de Queirós.
As crônicas foram escritas recentemente ou ao longo de alguns anos?
Foram escritas recentemente, ao longo de um ano e meio.
A ideia é levar um texto informativo para o leitor ou crônicas para relembrar momentos especiais em família?
Não, não é essa a ideia principal. Claro que falamos de lugares, comidas, curiosidades, mas o principal é narrar histórias, perrengues, deslumbramentos que tivemos ao longo desses anos viajando.
Acreditas que a relação entre pai e filha tenha se estreitado durante essas viagens?
Sim, acredito que sim. As viagens só começaram porque tínhamos uma relação boa, seria muito ruim viajar pra brigar né (risos). O pai tem as suas manias, como todo mundo, mas conseguimos nos entender. Acho que o livro, além de entreter, claro, porque são histórias fáceis de ler, também pode encorajar pais e filhos a desenterrar projetos. Tomar coragem pra viajar.
